domingo, 25 de dezembro de 2016

OLDER JACK - Metal alemão direto de Pomerode/SC



BANDA: OLDER JACK
DISCO: “Metal Über Alles”
ANO: 2016
SELO: Roadie Metal (http://roadie-metal.com/)
FAIXAS:
1.  Öl und Blut/
2.  Metal Über Alles/
3.  Fosa/
4.  In Namen das Geldes/
5.  Luft
6.  Macumba/
7.  Wahnsinn/
8.  Das Ende/
  Taí, costumo dizer aos amigos e conhecidos, podemos viver mil anos que não iremos ouvir tudo que precisamos conhecer de bom no Underground mundial e a OLDER JACK é a mais nova pérola descoberta por mim. Originária de Pomerode/SC (considerada a mais alemã das cidades brasileiras), a banda toda é composta por descendentes diretos de alemães e falam fluentemente a língua germânica, então, só por isso, por que não cantar todas as letras em alemão? Pois foi o que fizeram nesse primeiro disco da banda, talvez pra chamar a atenção do underground para si, se deu certo? Ô se deu!
  O som é dos melhores e mais caprichados (tirando uma escorregada na mixagem da faixa ‘In Namen das Geldes’ do meu CD que deu uma abaixada abrupta no som no meio da canção), um Metalzão oitentista, asperamente polido, com vocais rasgados e agudos de ‘gralhas turbinadas’ e guitarras fazendo aquela levada MERCYFUL FATE e METALLICA dos anos três primeiros discos, a bateria e o baixão pulsam forte. Detalhe pra 'Macumba' que começa com um riffão à lá MERCYFUL FATE e descamba pra SABBAzêra duma hora pra outra, coisa fina mesmo. Fico imaginando esse som mixado analogicamente pra um vinilzão daqueles que são atualmente prensados na Alemanha, ia ficar monstruoso! Com letras que não entendemos bulhufas, o press-release dá uma mãozinha avisando que falam sobre a união dentro do Metal, corrupção religiosa e aquele tema óbvio, Segunda Guerra Mundial (só espero não estarem cantando nada que tenha vindo do lado errado da luta).

  A banda é formada por César Rahn (bx), Bruno Maas (bt), Hermann Wamser (g), Deivid Wachholz (g) e Carlos Curt Klitzke (v), estão trabalhando duro pra divulgarem seu som e eu, sinceramente lhes desejo toda sorte do mundo, imagina se esses caras conseguirem fazer uma tour europeia e chegarem ao berço do Metal verdadeiro (a Alemanha, claro)? Vão ser alçados headliners rapidinho!
Alô Wacken, aqui é do Brasil, escuta aí....

Deivid Wachholz (g), César Rahn (bx), Carlos Klitzke (v)
Bruno Maas (bt), Hermann Wamser (g)
OLDER JACK


domingo, 18 de dezembro de 2016

BLACK SABBATH – O Fim a partir da ótica de um menino sonhador!


  Quando, no começo desse ano, ouvi pela primeira vez no rádio o anúncio de que o show de despedida do BLACK SABBATH passaria por Curitiba (perto de onde moro atualmente), veio um arrepio dos pés à minha cabeça, e, ao som de ‘War Pigs’ ainda, brotaram lágrimas dos meus olhos que centenas de shows já viram, mas eu não tinha muita certeza de que conseguiria ver, financeiramente falando, só tinha certeza d’uma coisa, eu PRECISAVA ver!
  A infância inteira ouvia falar de que o BLACK SABBATH era fodido e tal, mas não tinha acesso à obra deles até que comecei a andar com minhas próprias pernas e fui a uma loja pedir uma K7 gravada do vinil “Paranoid”, aos 12 ou 13 anos eu acho... dali em diante era uma estrada sem volta em rumo ao pesado e obscuro mundo do Heavy Metal... tá, eu já conhecia muita coisa, KISS, VAN HALEN, WHITESNAKE, QUIET RIOT, TWISTED SISTER, mas era o lado colorido da coisa, eu ainda não tinha encontrado a pedra fundamental, a origem à partir da escuridão, e depois de muitos livros de terror (pegos na biblioteca da escola) devorados ao som de ‘Hands of Doom’ e ‘Electric Funeral’, por exemplo, eu fui atrás dos outros plays... e, duas décadas mais tarde, depois de ter visto Ronnie James Dio duas vezes, de ter visto outros ex membros da história da banda, como IAN GILLAN, GLENN HUGHES, ROB HALFORD (sim, ele mesmo), DON AIREY, SCOTT WARREN, ERIC SINGER e os próprios TONY IOMMI e GEEZER BUTLER, eu finalmente iria ver OZZY OSBOURNE em seu lugar de origem, cantando alguns dos mais importantes hinos do Heavy Metal mundial. Mas eu não tinha comprado ingresso ainda... um detalhe que foi sanado após uns 7 meses do anúncio oficial que eu tinha ouvido no rádio e chegou o dia do tributo, eu iria poder ver e agradecer Tony Iommi pelos últimos 47 anos de completa entrega e dedicação à essa instituição chamada BLACK SABBATH (que lhe valeu a saúde, inclusive) que nos proporcionou inúmeras obras musicais de vários conceitos e importâncias variáveis, mas todas sem iguais entre seus pares.



  Chegando a Curitiba naquela quarta feira nublada, eu me deparei com uma pedreira linda e totalmente cercada pela natureza, que visual! E, no olho daquela cratera seria realizada a missa negra de despedida de um dos maiores nomes do som pesado. Com abertura da banda RIVAL SONS que impressionou muito o meu gosto pessoal e de muita gente que lá estava presente, uma grata surpresa com qualidade de som excelente!
  Era hora então do BLACK SABBATH. Eu esperava um estrondo logo de cara, pois iriam abrir o show com a música mais cavernosa gravada no século XX numa noite nublada e no meio daquele mato todo, tinha tudo pra arrepiar até os pelos pubianos, mas... a banda entrou ao palco após um clipe cavernoso do telão mostrando o ovo do anticristo sendo eclodido dando á luz um ser das trevas e à seguir ecoaria os primeiros acordes da SG preta do canhoto mais foda do planeta! Mas cadê o som da guitarra? Malditos técnicos de som (gringos ou não), foderam meu sonho mais arrepiante, calma, tudo bem... eu estava de frente para a ‘maldita trindade’ Tony Iommi, Terry Geezer Butler e Ozzy Osbourne (senti muita falta do quarto elemento, o fundamental espancador de peles Bill Ward) lá estava não um senhor pai de família, funcionário público e sim aquele mesmo garoto que rodou milhares de vezes aquela fitinha do “Paranoid”, aquele mesmo garoto cabeludo que achou o LP “Sabotage” na feira por R$1,00 quando o CD estava em alta e o vinil não valia nada, o mesmo cabeludo e extravagante vocalista de banda de Rock que gritava sem pudores as letras de ‘Children of the Grave’ e ‘Sabbath Bloody Sabbath’ pelos bares e palcos região afora, o mesmo fã que viu o BLACK SABBATH com o DIO, o mesmo fã que idolatrou aquele Ozzy dos velhos tempos, que era um demônio  comedor de morcego e execrou aquele Ozzy ‘garoto propaganda’ da MTV, aquele mesmo fã que trocou a fase Ozzy pela fase Dio sem o menor remorso por muitos anos mas era o fã que correu comprar a edição deluxe do “13” quando saiu e que, depois de muitos anos se fazer isso, realizou todo um ritual de absorção da obra para ouvi-lo pela primeira vez, sozinho, com o som no talo, bem equalizado e encarte na mão seguindo todas as letras, lendo a ficha técnica e cheirando (sim) o disco todo, aquele mesmo fã que no começo de 2016 se emocionou ao ouvir a primeira vez no rádio o anúncio da despedida de seus ídolos, o mesmo fã que passou um 2016 de merda, só se fodeu o ano todo, teve altos problemas, estava sem esperança nenhuma de poder realizar este sonho, o mesmo fã que quase ficou viúvo em 2016.

  Esse fã, esse moleque, esse cara, pai de família, esse funcionário público, esse que vos escreve se arrepiou aos sons de ‘Fairies Wear Boots’, ‘After Forever’, ‘Into the Void’, berrou a plenos pulmões letras de ‘Snow Blind’, ‘N.I.B.’, ficou em transe com ‘Behind the Wall of Sleep’, ‘Dirty Women’ e quase chorou com ‘War Pigs’, ‘Children of the Grave’ e ‘Paranoid’, mas ficou triste com a tentativa de ‘Rat Salad’ e sentiu muita falta de Bill Ward o show todo, não teve gente, o baterista contratado lá é bom, mas não me convenceu, pra mim o velho Ward era um dos três mais influentes e pesados bateristas daquela época e ponto final.


  Ponto final mesmo, tristemente nosso pai Tony Iommi não anda assim tão bem de saúde, logo após voltar do Brasil descobriu uns nódulos estranhos no pescoço e voltou a preocupar seus fãs, Ozzy é aquele Ozzy careteiro e performático que nos mostrou a bunda no palco, mas sua garganta não aguenta mais do que uma hora de show cantando, somente Geezer ainda tá 100% eu acho... mesmo assim foi uma baita espetáculo e espero que sim, esse tenha sido o fim de uma história, pois, mais uma tentativa de tour vai queimar o filme dos caras depois desse anúncio todo. Sou daqueles que ainda presa pela honra e palavra dos artistas... um bobo fã e sonhador, mas Rockeiro até a última gota de suor \m/ \m/




domingo, 11 de dezembro de 2016

VETERANÍSSIMA BANDA ANARCA HOMENAGEIA O MADE IN BRAZIL!




Nos anos 80 um dos nomes mais ativos da cena era o ANARCA (http://tocadoshark.blogspot.com.br/2014/03/wagner-anarca-um-dos-herois-do-som.html) que há mais de 25 anos não dá nenhuma novidade aos fãs, pois seu mentor Wagner mora há esse quarto de século nos Estados Unidos, mas eis que este final de 2016 trouxe à luz do dia uma gravação novíssima sob o nome da banda registrado pelo Wagner e seu amigo e baixista que também passou pela fase clássica da banda, William Kusdra, mas porque somente agora? E o que reuniu esses dois baluartes da cena oitentista de novo depois de tanto tempo? Saiba tudo à seguir nessa entrevista exclusiva da TOCA DO SHARK com os dois.


TOCA DO SHARK: Depois de aproximadamente 30 anos, a dupla Wagner Anarca e William Kusdra resolveu se reunir em uma gravação sob o nome ANARCA. De quem partiu essa ideia?
WILLIAM KUSDRA: O MADE vai completar 50 anos de estrada. Há um projeto programado que não posso adiantar e que não é idealizado por nós, mas conversando com o Wagner decidimos gravar uma homenagem à banda.
WAGNER ANARCA: Primeiramente quero agradecer o seu interesse pela nossa trajetória e trabalho.
  Aconteceu assim, eu moro há muito tempo nos E.U.A. e sempre mantenho contato com todos meu amigos do Brasil, principalmente os músicos que passaram pelo ANARCA. Um dia o William me ligou e falou que tem um projeto que vai rolar de homenagem ao MADE IN BRAZIL e que nós fomos convidados pela Gigi Jardim para participar.

T.S.: A gravação em questão é uma homenagem ao MADE IN BRAZIL, gostaria de saber o quão importante o MADE foi na formação musical de cada um de vocês?
W.K.: A importância do MADE IN BRAZIL é total. Tocamos em vários shows com eles em 1982 quando estavam completando 15 anos de estrada. Banda mais importante pra nós aqui no Brasil desde sempre.
W.A.: Eu fiquei super honrado, pois foi a primeira banda de Rock que eu ouvi ao vivo, junto com o Lúcio Zaparolli (SANTA GANG), meu amigo de infância, lá eu resolvi tocar guitarra, imagina o tamanho da honra em poder homenagear meus heróis?

T.S.: Como funcionou essa junção para gravação, haja vista que há um bom tempo Wagner mora dos Estados Unidos e William no Brasil?
W.K.: Hoje em dia a tecnologia e a internet nos proporciona essa facilidade. Gravei o baixo no estúdio do meu irmão que é de primeira linha e o Wagner fez o mesmo lá nos Estados Unidos.
W.A.: Então, o William me falou desse projeto, que partiu da Gigi Jardim que é uma grande amiga minha e eu fiquei surpreso dela ter colocado o ANARCA no projeto pra tocar ‘Uma Banda Made in Brazil’. Era pra eu gravar a guitarra e a voz aqui, o Willian Kusdra e o Régis Tadeu iriam colocar seus devidos instrumentos gravados aí no Brasil. Mas eu não queria simplesmente fazer um cover dessa canção, eu queria algo mais elaborado, que fosse mesmo uma grande homenagem aos caras, eles que são grandes Heróis do Rock Brasileiro, assim como o Júnior da PATRULHA DO ESPAÇO, o Luiz Carlini do TUTTI FRUTTI, Paulão Batera, Faísca, Sérgio Hinds (O TERÇO), meus heróis, que fazem Rock 24 hs por dia!
  Eu fiquei semanas e semanas refletindo o que eu iria fazer e ouvindo ‘Heartbreak Hotel’ do ELVIS PRESLEY eu tive a ideia de fazer uma versão em inglês para a música e transformá-la num blues e comecei a traduzi-la fazendo umas concessões e licenças poéticas, daí fui pro estúdio de Dan O’Brien que é um amigo de 25 anos que estou aqui e um músico de mão cheia que me ajudou com umas guitarras e algumas palavras na tradução. Devo muito à ele.
Willian Kusdra (bx), Wagner Anarca (g/v) e Régis Tadeu (bt)
ANARCA nos anos 80
TS.: Além de Wagner Anarca na guitarra e voz e William Kusdra no baixo, quem mais participou com os outros instrumentos (bateria, gaita, etc...)?
W.K.: O Wagner fez tudo. Eu só toquei o baixo.
W.A.: Como eu disse, o Dan O’Brien me ajudou muito nas guitarras e na demo ele fez uma bateria eletronicamente, daí o Régis achou melhor manter essa bateria pois ele estava sem tempo pra gravar agora, ele disse que a bateria ficou ótima. Daí ficou a bateria do Dan e um fato interessante também foi a gaita imaginária que eu queria colocar, pois eu não tinha gaita nenhuma, fui pro microfone e fiz uma gaita com a mão e a boca, ele deixou gravando e fez a coisa toda virar uma gaita de verdade...hahahahaha...


Willian Kusdra (baixo) em 2016

T.S.: Pra finalizar, podemos esperar mais alguma surpresa sob o nome ANARCA?
W.K.: Com certeza meu amigo. Temos a ideia de gravarmos mais algumas músicas do nosso antigo repertório. Acho que vai rolar algo pra 2017, 2018.
W.A.: Só quero deixar bem claro que esse lance todo não tem nada à ver com o ANARCA, isso é sobre o MADE IN BRAZIL.
  Mas, paralelamente a isso eu estava conversando com a Gigi sobre filosofia e chuva, daí ela me mandou uma gravação de um tape com som de uma chuva que ela gravou e tem até um gemido dela no final. E com esta gravação eu queria fazer uma música, mas passou o tempo e veio essa gravação do som do MADE que me colocou no embalo de novo pra gravar. Então eu criei uma música chamada ‘Tears of Rain’ que é uma homenagem à Gigi Jardim, onde eu usei seu tape com som de chuva mais o gemido dela no final. Também rendeu uma versão mais atual para ‘Mercedez Benz’, aquela da JANIS JOPLIN com uma mensagem mais atual. Eu tenho um projeto de gravar um CD em breve, além dessas três citadas.
Wagner Anarca (guitarra e voz)

FOTOS dos arquivos de William Kusdra e Wagner Anarca

terça-feira, 22 de novembro de 2016

JACK SANTIAGO LANÇA INÉDITA DO HARPPIA - 'Guardiães da Mente'


JACK SANTIAGO, a eterna voz do HARPPIA lançou esta semana em sua página do Facebook uma música inédita da formação anos 2000 do HARPPIA chamada ‘Guardiães da Mente’. À seguir Jack explica melhor o caso da música que ficou inédita pela última década.
"Essa música ficou em processo de incubação por anos a fio. Tocamos ela em três ou quatro shows e ficou como nosso lado B. Inicialmente era pra ser uma Ode aos Anjos... Algo como uma ‘Salém’ às avessas, creio que não consegui o meu intuito, porém (nesta gravação de ensaio... a grosso modo) conseguimos dar-lhe vida, o que já é grande coisa..."







HARPPIA (ano de 2003)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

WALCIR CHALAS, o comendador do Heavy Metal brasileiro!


  Depois que saiu o DVD contando a história da lendária loja de discos paulistana Woodstock Discos (https://www.facebook.com/docwoodstock) a curiosidade por conhecer e saber mais sobre esse templo sagrado do Metal pesado na América do Sul cresceu vertiginosamente e no dia 14 de Setembro eu estive em São Paulo para a última sessão de cinema do filme/doc “Brasil Heavy Metal” no Cine Olido, e, como estava ali perto da loja, resolvi passar por lá pra dar um abraço no responsável por muita coisa importante na nossa história, o comerciante Walcir Chalas, proprietário fundador da loja em questão desde 1978 na ativa sem baixar guarda e do nosso bate papo informal eu resolvi sacar meu fiel gravador de bolso e fazer logo uma entrevista documental pra TOCA DO SHARK e essa entrevista ficou longa demais pra quem tem preguiça de ler, mas não pra quem tem curiosidade e fome de conhecimento sobre a nossa história sociocultural, sobre o nascimento do Heavy Metal brasileiro e sobre a chegada do Thrash Metal às nossas terras.
  Com a palavra, ninguém menos que Walcir Chalas, o responsável!



TOCA DO SHARK: O quê te fez montar a Woodstock?
WALCIR CHALAS: Primeiramente é um prazer estar batendo esse papo com você da TOCA DO SHARK e, respondendo a sua pergunta, eu sempre gostei de ROCK desde os BEATLES e nos anos70 era muito difícil conseguir os discos das bandas que a gente gostava e por isso eu resolvi abrir uma loja de discos para o pessoal conseguir encontrar aqui no Brasil aquele disco chamado ‘impossível’ de se achar.
   Eu ia atrás das raridades e de uma possível nova cena que poderia estar acontecendo no planeta e trazer pra cá.

T.S.: E isso foi em que ano?
W.C.: A loja eu montei em setembro de 1978, este ano completaram 38 anos de Woodstock Discos.

T.S.: E sobre as suas viagens pra Europa? Parece-me que não era bem pra lá que você queria ir a princípio, correto?
W.C.: Geralmente, naquela época, até o nome da loja acusa isso, foi inspirado no festival de 69, eu queria ir mesmo era pros E.U.A., por causa dos filmes, por causa do ELVIS, HENDRIX, etc... e como eu vi que tinha uma cena de Heavy Metal acontecendo no mundo, e os E.U.A. era o centro de tudo isso, eu decidi prontamente ir pra lá pra pegar tudo que eu pudesse. Mas o consulado americano recusou o meu visto e meus planos desabaram completamente. Só que, passando umas duas semanas disso caiu a minha ficha e eu pensei, “...putz, eu ia pro lugar errado...” porque não eram nos E.U.A. que estava acontecendo a cena que eu queria conhecer, porque eu já sabia das tais novas bandas SAMSON, ANGEL WITCH, IRON MAIDEN, DEF LEPPARD, etc...  Daí eu resolvi ir pra Inglaterra em 1982 e peguei ‘o olho do furacão’ acontecendo.

TS.: Desde então, quantas vezes você foi pra Inglaterra?
W.C.: Pra Londres eu fui 29 vezes em, praticamente, 10 anos. Teve vez que eu fui duas vezes na mesma semana, então pegamos a cena dos anos 80 nascendo e fechando seu ciclo, não morrendo, pois as bandas continuam aí até os dias de hoje.

T.S.: Por essas e por outras também, você foi o responsável, ou um dos responsáveis pelo nascimento da cena Thrash-Metal aqui no Brasil, trazendo os discos pioneiros de uma cena que aqui ninguém sabia ainda que já estava tomando forma lá fora.
W.C.: Veja bem, lá nos idos dos anos 90 o Max Cavalera já falava isso nas suas entrevistas mundo afora, ele falou isso no filme sobre a loja também, mas ele já falava isso bem antes e eu nem sabia, que através da loja Woodstock ele conheceu VENOM, KREATOR, VOIVOD, SLAYER, METALLICA e aí ele se interessou por esse tipo de som e montou o SEPULTURA, não só o SEPULTURA, mas toda uma cena surgiu no Brasil e inclusive eu levei todos esses discos de bandas brasileiras lá pra fora nas minhas viagens pra Europa, não só do SEPULTURA, mas do VIPER e tantas outras que apareciam aqui, eu queria mostrar para o pessoal na Europa, que eu levava na loja Shades Records da Inglaterra, que aqui também estava se formando uma cena de peso como no resto do mundo e isso ajudou muitas dessas bandas a lançarem seus discos e fazerem shows lá fora depois.
Pouco antes de se mudar para o prédio em que se encontra até hoje,
essa era a fachada da loja em uma pequena galeria na Rua José Bonifácio

T.S.: Inclusive eu entrevistei o Celso Barbieri recentemente e ele me falou que foi graças a você que ele foi pra lá (leia mais sobre isso em http://tocadoshark.blogspot.com.br/2016/08/talvez-nova-geracao-nao-saibaassociar-o_20.html )...
W.C.: Verdade, a finalidade do dinheiro no momento eu não sabia, mas ele tinha um material ótimo em mãos pra me vender pela Devil Discos , eu acho que era um lote dos discos “Korzus Ao Vivo” do KORZUS mesmo e eu comprei o lote todo e dei a grana pra ele. Anos depois ele veio me contar que aquela grana tinha levado ele pra Europa onde ele está até hoje. Indiretamente sou responsável por essa e tantas outras coisas, me sinto até realizado de saber que a loja mudou a vida de tantas pessoas e contribuiu tanto assim pra cena fazendo somente o que eu gosto, ROCK, HEAVY METAL...

T.S.: Os caminhos vão se cruzando...
W.C.: Verdade, o cara vem me falar “... comprei meu primeiro disco do METALLICA na Woodstock, aprendi a tocar um instrumento por causa disso, montei minha banda e toco com ela até hoje...” sabe, a história como está contada no filme ela tem um princípio meio e fim somente entre aspas, porque ela continua até hoje, várias dessas bandas ainda estão tocando por aí, muitos desses músicos influenciaram outros, a nova geração que está se interessando por tudo isso está vindo aí então, não tem final... É muito bom, esses anos 80 tem muitas raízes fincadas por aí.
Capa do DVD com a história da loja.

T.S.: Falando sobre o filme “Woodstock, mais que uma Loja” de quem partiu a ideia de fazê-lo? Foi sua, de algum frequentador da loja, do diretor que te procurou?
W.C.: Antes do Wladimyr Cruz (o diretor) me procurar, outras pessoas já tinham vindo me falar dessa ideia, não menosprezando o lado profissional desses anteriores, mas eu não me interessei antes pelos projetos porque simplesmente nenhum deles tinham vivido a cena da Woodstock na época, então, eles não teriam aquele conhecimento de causa pra fazer como deveria ser e o Wladimyr, eu me lembrei dele, ele vinha naquela época na loja com a irmã mais velha dele, a Sharon desde que ele tinha, sei lá, uns 10 anos de idade, então ele viveu a Woodstock, eu percebi que ele tinha condições de fazer, ele saberia o quê perguntar e pra quem perguntar. Não teria como dar errado, o cara quando vive a cena é mais fácil, repito, sem menosprezar os anteriores que me procuraram. Eu não precisei fazer nada, somente dar uma entrevista pra ele, que se resumiram em umas 8 horas, feita num dia só e o resto foi tudo ele que fez e correu atrás. E foi rápido o processo, ele levou uns três meses pra fazer o filme, o que demorou mais foi conseguir os depoimentos dos irmãos Cavalera que, quando fizemos as entrevistas eles não estavam no Brasil, foi preciso esperarmos eles virem pra cá com o CAVALERA CONSPIRACY pra podermos gravar com eles e finalizar o filme, eles fizeram parte da história afinal de contas, eu conheci eles como dois moleques comprando discos de Heavy Metal na loja, nem tinha o nome SEPULTURA ainda.

T.S.: Tanto fazem parte da história que o dia que essa loja mais viu gente foi justamente por culpa deles né? Até polícia baixou aqui.
W.C.: Esse dia foi um ‘chaos a.d.’ mesmo, foi na turnê do “Chaos A.D.” que eles vieram lançar o disco aqui na loja e fazer uma tarde de autógrafos e infelizmente eu tive de chamar a polícia, porque a molecada tava naquele estilo ‘Mass Hypnosis’ mesmo, queriam invadir a loja à todo custo pra ver a banda, mas correu tudo bem, o Max foi até a porta da loja, já era 21hs pra ver se ainda tinha alguém que não tinha sido atendido pra autografarem o disco e tudo aconteceu super bem.

T.S.: Teve alguma outra banda que chegou perto disso aqui?
W.C.: Teve sim, os RAMONES, mas o dia deles foi controlado. Outras com menos intensidade que passaram por aqui foram VENOM & EXCITER que foi o primeiro show internacional underground que rolou aqui no Brasil, teve o ROB HALFORD que veio ao Brasil na época já com o FIGHT, ANTHRAX, DEEP PURPLE, URIAH HEEP, TESTAMENT, EXODUS, todas essas passaram pelos balcões da Woodstock pra darem seus autógrafos, MOTÖRHEAD, tudo isso de graça, não era como hoje que tem essa tal de ‘Meet & Greet’ fajuto que você tem que pagar uma nota preta pra tirar uma foto e pegar um autógrafo do seu ídolo, nada disso, aqui era grátis. Tivemos aqui dentro da loja, o pessoal da Bay Area e da N.W.O.B.H.M. disponível para os fãs, somente pra eles.

T.S.: Imagino a honra que tenha sido pra você ter em sua loja ídolos da sua juventude como URIAH HEEP e DEEP PURPLE.
W.C.: O primeiro que veio aqui foi o URIAH HEEP e de repente eu vejo aqui dentro da minha casa, o Mick Box, é meio forte falar ‘ídolo’ mas um puta músico da minha juventude e eu me peguei pensando “...caramba, o quê que está acontecendo?” Eu ouvi muito URIAH HEEP os anos 70 inteiro. Depois veio aqui na loja o Roger Glover do PURPLE, o Marc Bell que veio aqui como Marky Ramone com os RAMONES eu conheci bem antes como o baterista do DUST, pra mim era o cara do DUST que tava aqui dentro então foi uma realização completa pra mim, tanto como roqueiro dos anos 70 como Headbanger dos anos 80.
  Isso sem contar os que eu conheci nos bastidores dos shows e festivais aqui no Brasil, vivendo com eles, eu conheci ROBERT PLANT, KISS, AC/DC, lógico que não existia o tal do ‘selfie’ então não foi registrado nem metade desses encontros, mas eu nem estava preocupado com isso também. Viver a cena era o mais importante pra mim e conhecer esses caras dos anos 70 e 80, tá tudo gravado nas minhas memórias.

T.S.: No final dos anos 90, tanto pela situação da internet e seus downloads o ambiente de lojas físicas de disco deu uma esfriada e a Woodstock também sentiu esse baque desaparecendo da cena um pouco e resurgindo somente há alguns anos com mais interesse do público.
W.C.: O que aconteceu aqui aconteceu no mundo todo, o download devastou, foi um tsunami pra música mundial. O divisor de águas foi o Windows 95 que abriu o mundo então, não tínhamos como evitar a tecnologia. Só que a cena não se renovou e o que acontece hoje é uma volta ás raízes, o pessoal comprando vinil e o Rock voltando pro underground e eu acredito que deva surgir uma cena nova baseada nas raízes para que a história continue.

T.S.: É exatamente isso que me preocupa, vendo aí todos esses documentários que saíram nos últimos anos sobre a cena, ‘Botinada’, ‘Brasil Heavy Metal’, o do VULCANO, da DORSAL da loja, o que eu vejo é o pessoal daquela época que está reaparecendo e se interessando, não vejo muito uma molecada nova se interessando, parece algo muito saudosista. Tem alguns moleques que vem bater aqui na porta da loja atrás de materiais, ou histórias, por exemplo?
W.C.: Na verdade o que eu tenho percebido no pessoal das antigas é a carência por contato humano como antigamente, hoje tá tudo muito virtual, alguém me diz “... pô, falei com alguém...” cara, você não falou, você teclou, você não apertou a mão do cara. Então talvez seja isso, o pessoal tá carente do calor humano, de se encontrar pra conversar, o toque em si, o olho no olho, então essa garotada que está vindo aqui com os pais também está percebendo que algo precisa ser feito para ‘o ser humano voltar a conversar com outro ser humano’, porque tá difícil, acabaram-se os points, as redes sociais eram na Woodstock e em tantas outras lojas mundo afora e as lojas acabaram, mas eu to percebendo que pode voltar.
"...Os ingressos de shows eram vendidos em lojas, as pessoas se conheciam na fila pra comprar o ingresso e já combinavam de se encontrar no dia do show..."

T.S.: O contato físico desapareceu, ficou frio esse contato virtual, que também ajuda, afinal, cada um fez sua vida diferente e a distância geográfica foi solucionada, mas não é o contato humano das lojas de discos, das mesas de bar, das portas de show...
W.C.: Verdade, essa é a ideia certa. Os ingressos de shows eram vendidos em lojas, as pessoas se conheciam na fila pra comprar o ingresso e já combinavam de se encontrar no dia do show, ou irem juntas, hoje está confortável, você tá lá de cueca na sua casa comprando ingresso pra um show do IRON MAIDEN ao invés de pegar uma fila de duas ou três horas, mas o lado romântico da coisa de você encontrar pessoas numa fila e selar aquela amizade acabou. E as amizades daquelas filas duram até hoje, em muitos casos gerou casamentos e filhos, ou seja, era bem humano e a realidade nossa atual está bem fria, isso me preocupa.

T.S.: Vamos falar agora sobre os discos lançados pelo selo da Woodstock, por exemplo, quando o VENOM e o EXCITER vieram juntos ao Brasil, você já tinha lançado os discos do EXCITER ou foi depois dessa visita da banda?
W.C.: Não, eu já tinha lançado o EXCITER, os discos “Violence and Force”, “Unveiling the Wicker” e o “Long Live the Loud”, alguns pela Music for Nation da Inglaterra e outros pela Megaforce do Johnny Z, meu amigo, isso eu posso dizer. A loja já tinha o selo nessa época.

T.S.: Que ano você começou a lançar os discos no Brasil?
W.C.: A dificuldade de trazer discos em grandes quantidades pro Brasil me fez lançar alguns títulos aqui pra suprir as demandas. Eu não conseguiria trazer 1000 discos de cada pra suprir o mercado daqui, então comecei a licenciar e o primeiro que licenciei foi o CHARIOT que era da loja Shades da Inglaterra, que era uma loja que eu ia direto buscar material e eu queria licenciar alguma coisa eles me ofereceram essa banda nova deles e eu paguei na época acho que mil libras, uma fortuna pra época, mas não importava o dinheiro eu queria lançar algo pra facilitar o mercado de Heavy Metal no Brasil e em 1984, ainda na rua José Bonifácio eu lancei esse disco do CHARIOT e quando a loja se mudou pra cá em 1985 eu já tinha contrato com gravadoras dos E.U.A., R.U., Alemanha,  França. A Woodstock lançou quase 60 discos, eu me lembro que numa semana em meio ao Plano Cruzado, com aquela escassez de matéria prima absurda eu lancei 11 discos, até saturou um pouco aquele mês, mas aos poucos a garotada foi comprando e tudo deu certo.

T.S.: E hoje só pelo fato do disco ser do selo Woodstock ele vale mais no mercado de colecionadores, às vezes até mais que os importados, o cara anuncia que é do selo Woodstock e ainda tira foto do selo pra comprovar...
WC.: Verdade, virou cult, é uma honra isso tudo pra mim. Rolaram 20 ou 30 anos e vez por outra eu ouço a pergunta “... a Woodstock acabou?” Eu digo que não, que a Woodstock continua por aí rodando em vários toca-discos e continuará no ar por muito e muito tempo ainda mundo afora, porque o selo não atingiu só o Brasil, vinha gente da Argentina, Chile, Bolívia e Colômbia direto e reto pra buscar discos na loja.

T.S.: Podemos dizer que foi o princípio do MERCOSUL metálico...
W.C.: Exato, e tem gente da Argentina que vem aqui até hoje só pra dizer que comprou o ingresso pro METALLICA aqui em 89. Modéstia à parte, no Brasil sempre fomos bem representados na cena do Heavy Metal na América do Sul, tanto que em entrevista em 1991 o Max já dizia que a Woodstock era a maior loja de Heavy Metal do nosso país, e eu nem sabia, fiquei sabendo disso 10 anos depois...

TS.: Agora a Woodstock voltou a fazer shows e organizar encontros aqui na loja, me fale sobre isso.
W.C.: É exatamente aquilo que eu tava te falando sobre ‘o carente’, as pessoas querem estar em comunidade aqui na loja que frequentavam quando jovens, querem trazer seus filhos pra onde eles frequentavam quando tinham a idade deles, poder sentir aquele clima do que era nos anos 80 ou 90, não sei por quanto tempo, mas dar essa oportunidade pra moçada mais jovem que vem aí poder trocar ideia sobre o que a gente gosta aqui na loja, Rock, Heavy Metal.

T.S.: E pras bandas que queiram vir tocar aqui, como faz?
W.C.: Cara, quando eu anunciei que iria voltar a fazer shows aqui, muita gente entrou em contato, e como a cena cresceu muito, eu devo ter bandas suficientes pra uns seis meses de shows, mas as bandas podem enviar ou trazer material aqui na loja da mesma forma, não é gosto pessoal, é o mesmo feeling que eu usava naquela época, é o que eu falo pra todo mundo, você não tem que convencer o Walcir, o Walcir é um link entre você e o público, eu vou mostrar, se o público gostar, o espaço tá aí, claro que vou usar meu feeling quando ouvir, do tipo, “... meu, esse disco é legal, vai atrair atenção de um público...” VOX POPULI, VOX DEI.

"...então essa garotada que está vindo aqui com os pais também está percebendo que algo precisa ser feito para ‘o ser humano voltar a conversar com outro ser humano’..."

T.S.: Por falar em Voz, você foi A voz de uma geração no rádio com o programa ‘Comando Metal’, quanto tempo durou essa jornada?
W.C.: O Comando Metal durou da metade da década de 80 até o meio da década de 90, uma década praticamente e foi uma década das mais importantes para o Heavy Metal, pois, pra você ter uma ideia, o Comando Metal lançou logo no segundo programa o “Masters of Puppets” do METALLICA em primeira mão no Brasil, pois o disco saiu numa quarta feira lá fora, na sexta eu já tinha ele em mãos e o programa ia ao ar no sábado então, um moleque aqui no Brasil ouvia esse disco praticamente que ao mesmo tempo que um moleque lá dos E.U.A.

T.S.: E como você se meteu dentro d’um estúdio de rádio?
W.C.: O meu nome e o nome da loja já era consolidado em 1985, quando me convidaram pra estrear em março de 1986, e um dos garotos que compravam discos aqui trabalhava na Rádio Cidade/89 FM e ele deu o toque de que eu seria o cara mais indicado pra fazer um programa de Heavy Metal na rádio que estava nascendo, que era a 89 FM e o pessoal da Rádio Cidade que tomava conta dessa nova FM fez uma pesquisa na região da Grande S.P. inteira e meu nome tava lá em cima, daí eles me chamaram e fizeram a proposta, perguntaram o que eu queria financeiramente e eu disse que só queria falar da minha loja no ar e o resto virou história, um programa cult até hoje na memória das pessoas. O programa acabou em 1994 por causa de problemas com a loja e eu precisava me dedicar 100% à loja. Dez anos depois a 89FM me convidou de novo pra voltar ao ar com o Comando Metal e eu fiquei entre 2004 e 2006 no ar na FM e numa novidade chamada Podcast, que o pessoal poderia ouvir à qualquer hora em qualquer lugar via internet. Daí mudou a direção artística da rádio e o programa acabou de novo. Tudo bem, fiz mais dois anos pra uma nova geração pra quem eu toquei a nova geração do Metal, NIGHTWISH, DIMMU BORGIR, etc... Daí em 2011, o pessoal da Antena Zero WebRadio me convidou pra eu fazer um programa numa web-radio que eu não sabia como funcionava, de curioso eu pensei, “....vou fazer só 10 programas, mas pra matar saudades mesmo...” e lá eu chamei o programa de Antena 666, não Comando Metal. E outra coisa, quando me chamaram eu perguntei pro diretor artístico como era a audiência de uma web-radio? Ele me disse que o máximo que eles tinham atingido até então era cerca de 3000 ouvintes. Eu achei legal, um número expressivo e ele disse que se na estreia do meu programa eu atingisse 1000 ou 1500 tava ótimo. Fiz o primeiro programa e eles mediram lá a audiência naquela hora, deu 11 mil ouvintes, ou seja, eu entrei numa web-radio pequena que tinha 3000 ouvintes e com meu primeiro programa alavanquei a audiência deles em 7000 a mais. E em 2004 com o podcast da 89 FM, a rádio mostrava números, eram 19 mil downloads.

T.S.: E esses programas da Antena Zero tem disponível na internet ainda?
W.C.: Como a rádio era muito pequena, eu perguntei se os programas iam ficar disponíveis na web, mas na época o diretor me falou que eles não tinham provedor pra manter esse arquivo, então, não sei se hoje tem na web, mas acredito que não. Agora os da 89 eles tiraram do ar mas tem algumas relíquias no Youtube, que foi o que a galera gravou na época e guardou até os dias de hoje, depois digitalizaram e tá no Youtube. A 89 FM não guardou nada, porque naquela época os programas eram gravados em fitas de rolo e o Comando Metal tinha uma fita de rolo só que era apagada na semana seguinte pra se gravar por cima de novo. Por isso a rádio não tem nada em arquivo do Comando Metal. A mesma coisa acontecia nas TV’s, como a TV Cultura, usava e apagava, usava e apagava, mal sabiam que estavam apagando a História!

T.S.: Essa é a maior dificuldade dos arquivistas e dos historiadores. Fora o que foi queimado criminalmente ou acidentalmente na TV Record também.
W.C.: A Record hoje só tem quatro ou cinco dos programas ‘Jovem Guarda’, que eu assisti foi um só. Até aí do incêndio criminoso/político, a gente até entende, não aceita, mas entende. Agora uma rádio que tá vendo que o programa dela é acima da média, recordes de audiência e apagar aquilo, chega a ser criminoso. Agora o que tá aí na internet foi algum garoto daquela época que gravou, guardou e jogou na web, eu tenho lá um baú com uns 40 programas, talvez nem isso, sem data nem nada marcado, eu não me preocupei com esses detalhes, porque eu fui saber que a rádio não tinha um arquivo anos depois, senão eu tinha guardado pra mim. E também não tinha como eu adivinhar que o futuro reservaria novos formatos que deixariam nossas fitinhas K7 obsoletas e que muita gente iria jogar tudo o que tinha arquivado no lixo.

T.S.: Algumas que ficaram guardadas também nem rodam mais, mofaram, não tem equipamento regulado para tanto, enfim...
W.C.: É o que eu digo, sorte de quem ouviu e viveu. É mal de brasileiro não preservar a sua própria história, não falo só de São Paulo não, falo do Brasil como um todo, temos muitos heróis bonitos na nossa história que são desconhecidos de todos, até mudei o foco da conversa, mas é isso, uma coisa puxa a outra. Temos heróis que nunca iremos conhecer.

T.S.: Um grande exemplo disso é o primeiro disco do VOODOOPRIEST recentemente lançado, que conta a história do guerreiro indígena Mandú Ladino... (http://tocadoshark.blogspot.com.br/2015/07/voodoopriest-moralizando-os-indigenas.html)
W.C.: O ARMAHDA, o CANGAÇO, isso é lindo, porque o IRON MAIDEN tá lá falando sobre ‘Paschendale’ lá, Bruce Dickinson é historiador, veja o “Powerslave”...

T.S.: GRAVE DIGGER contando a história da Escócia, mesmo sendo alemães...
W.C.: Pois é, vamos contar a nossa história, o pessoal do sul, os bandeirantes, Duque de Caxias, meu, a gente tem herói pra caramba e só ouve falar em Super-Homem, enfim, assunto não falta...

T.S.: Por isso temos que valorizar o movimento “LEVANTE DO METAL NATIVO” (https://www.facebook.com/levantemetalnativo)  que reuniu todas essas bandas que contam nossa história, nossas raízes.
W.C.: Pra você ter uma ideia, eu lancei uma camiseta que tem o Eddie (do IRON MAIDEN) do ‘The Trooper’, troquei a bandeira dele pela de São Paulo e escrevi embaixo M.M.D.C. e veio moleque aqui me perguntar que CD do IRON MAIDEN era aquele? Apagaram a nossa história, igual o Comando Metal, tem um programa que estávamos eu, o João Gordo e o Max Cavalera bêbados fazendo o programa em dezembro, isso é história. O Comando Metal era um programa informal, eu saía da loja com fome e ia pra rádio, lá eu pedia uma pizza e comia ela durante o programa dentro do estúdio, cerveja, hoje seria impensável isso. O Max falando que eu estava bêbado no ar e a molecada do outro lado ouvia e ria... Era tão humano que quem tava ouvindo ficava bêbado, entre aspas, só de ouvir o programa. Do caramba!
Shark na companhia dos ilustres Ravache (HARPPIA/CENTÚRIAS)
e Walcir Chalas em pessoa no lançamento do "Super Peso Brasil" em 2014.

T.S.: Não foi nesse programa que alguém derrubou um prato de farofa no chão e o Gordo falou no ar “.... pô, você derrubou toda farinha...”? Eu li isso em alguma entrevista dele ou do Max e era em um programa de rádio, não sei se era o seu, mas deu até problema porque o pessoal da rádio entendeu que a farinha era de outra procedência e não de mandioca...
W.C.: Eu não me lembro, pode ter sido também... Eu vou tentar achar esse programa nas minhas fitas e disponibilizar pra posteridade na internet, porque ele é um programa muito icônico que fizemos, é muito legal! O que eu tenho é a gravação da qual foi a primeira entrevista do Max pra uma rádio, olha a importância disso, foi na época do “Schizophrenia”. E eu preciso digitalizar isso pra todo mundo ouvir. Agora o que eu to priorizando é o lado visual da loja, por causa do DVD mesmo, o pessoal vem aqui na loja perguntar sobre as histórias que viram no filme e eu tenho que provar pra eles, por isso estou trazendo pra loja e enquadrando várias fotos e recortes de jornais, pôsteres autografados, essas coisas...

T.S.: Uma das coisas que você falou no documentário que me deixou emocionado mesmo foi aquela parte em que você falou “... eu estou andando na rua e passa do meu lado um moleque com a camiseta do METALLICA e eu penso, putz, ele não sabe da história nem a metade...”
W.C.: Meu imagine o moleque com a camiseta do SEPULTURA? Eles vinham aqui nem banda eles tinham! Eu me lembro como se fosse ontem, o Andreas debruçado naquele balcão namorando os discos... mas eu acho legal pra caramba, eu às vezes falo assim pra um ou outro: “...moleque, vou te contar um negócio...” só vejo a reação deles “...CARALHO!” Só de ver o moleque usando qualquer coisa de Heavy Metal já valeu tudo.... esse lugar (N. do R.: Walcir nesta hora abre os braços mostrando o interior  da loja) eu vejo o Max ali, eu não guardei tudo porque era muita coisa, mas acho que tem uma imagem no filme que mostra, o banner que eu fiz sobre a tarde de autógrafos do SEPULTURA e ele estava pendurado ali, o Max pegou uma caneta e escreveu no banner “...o dia em que nós morremos...” (risos). Tá vendo ali atrás onde hoje tem aquela camiseta dos ROLLING STONES? Pois é, ali tinha uma janelinha, nós precisamos passar o Zyon, filho do Max com a Gloria pela janela temendo pela vida dele, foi o único dia da minha vida que eu senti medo dentro da Woodstock. Na porta se ouvia os BUM, gente tentando arrombar a porta pra entrar, mas no final tudo correu super bem e ficou pra história.

T.S.: E pra fechar essa história sem fim, o que mais você tem a dizer pra velha e pra nova geração de bangers que vão ler essas palavras na Toca do Shark?
 W.C.: Pra você que terminou de ler essa matéria, não pare por aí, divulgue a nossa história, saia de casa, vá aos shows, aperte a mão de um amigo pessoalmente, não virtualmente, é mais legal pessoalmente, vão por mim!



"...sorte de quem ouviu e viveu. É mal de brasileiro não preservar a sua própria história, não falo só de São Paulo não, falo do Brasil como um todo..."


MAIS INFOS SOBRE A WOODSTOCK DISCOS:





Agradecimentos especiais à Rhadas Camponato pelas fotos cedidas.
FOTOS: Arquivo Walcir Chalas, Arquivo Rhadas Camponato, Arquivo Alexandre WildShark.

domingo, 6 de novembro de 2016

HERYN DAE - O Peso do METAL tradicional saindo de Santa Catarina pro resto do Mundo!




DISCO: “Heryn Dae”
ANO: 2016
SELO: Roadie Metal (http://roadie-metal.com/)
FAIXAS:
1.  March to Die/
2.  Final Fantasy/
3.  Heryn Dae/
4.  Death/
5.  Shadow’s Prologue/
6.  Lucy/
7.  Kings of the Anarchy/
8.  Evil Fortress/

    Essa banda se formou em 2013 em São Francisco do Sul/SC e agora vem à público lançar seu primeiro e impressionante disco de Heavy Metal tradicional.

  Depois de uma intro pra sintonizar o clima do disco que vem à seguir a banda abre o disco com ‘Final Fantasy’ de onde eu senti um clima de SAVATAGE clássico com um cheirinho de IRON MAIDEN do disco ‘Fear of the Dark’.

  A primeira faixa dessa banda que ouvi na vida, é a de mesmo nome da banda, antes ainda de sair o CD físico, via internet e foi ela que me fascinou, ‘Heryn Dae’ traz um climão totalmente SABBATH fase DIO. Que espetáculo! A Escola Heaven & Hell
segue firme e forte século XXI adentro.

  ‘Death’ é um daqueles Heavão acelerado que me remete de novo ao bom e velho SAVATAGE, talvez seja a voz de Victor Moura,
ainda não decidi hehehehe... só sei que tem um apoio monstruoso da guitarra cortante de Juliano Bianchi e da cozinha metálica composta por Cristiano Pereira (bt) e Ricardo Bach (bx).
Cristiano Pereira (bt), Juliano Bianchi (g), Victor Moura (v) e Ricardo Bach (bx)


‘Shadows Prologue’ começa pegando pesado e de repente dá
aquela pausa pra se viajar nos mares da loucura e ‘Lucy’ só acelera o processo de insanidade com aquele andamento IRON MAIDEN (sem soar pejorativo). ‘Lucy’ se tornará um hino rapidinho, com esse refrão e esse andamento não tem como não dar certo. Vai por mim.

  Agora, a obra prima do disco mesmo fica por conta de ‘Kings of the Anarchy’, a obra como um todo (instrumental, letra, conceito, interpretação) realmente vale à pena. Há, ela desconstrói uma religião muito popular através dos séculos.

  E o disco termina de maneira angustiante (à lá JUDAS PRIEST) com ‘Evil Fortress’, literalmente lacrando a grade da cela do manicômio!

  Você só tem duas escolhas, a de conhecer urgentemente essa banda e esse disco ou a escolha de ignorar o que está acontecendo lá fora e ficar trancadinho no seu mundinho de ‘paranoids’ e ‘born to be wilds’.