sábado, 12 de maio de 2012

M:O:A: - "Muitos Otários acreditaram! Eu sou um Otário!



 Corria o mês de novembro de 2011 e os rumores de que o Brasil teria a sua edição do WACKEN OPEN AIR estavam crescendo, inclusive em meio a imprensa especializada, mas de repente surge a notícia de que o festival seria em São Luis do Maranhão. Porque tão longe de tudo? Disseram que era por causa da comemoração dos 400 anos da cidade de São Luis, tá, mas quem seria o organizador. Bem, começou a se falar de uma empresa produtora de eventos lá do Maranhão chamada Lamparina Prod Artísticas em parceria com a paulista Negri Concerts uma tal de CK Concerts de outro país latino-americano, até aí tudo bem, até que a empresa alemã detentora da marca “Wacken Open Air” soltou uma nota de que ouve sim uma negociação para o uso do nome da empresa aqui no Brasil mas as negociações não foram adiante.
  Em seguida as empresas brasileiras soltaram uma nota oficial dizendo que isso tudo era verdade, mas como não foi possível trazer a marca alemã para o Brasil o evento iria rolar do mesmo jeito, só que agora com uma marca totalmente brasileira e se chamaria “Metal Open Air” e seria nos mesmos moldes do festival alemão, 3 dias de Heavy Metal puro, numa fazendo, com camping e estrutura de primeiro mundo, além de 20 bandas brasileiras mescladas a 20 bandas internacionais de renome. Muitos foram cogitados, entre eles, MANOWAR, SLAYER, TWISTED SISTER, e até o “Big 4” completo, mas, sem a marca “Wacken” muitos não quiseram fazer parte disse, entre eles MANOWAR e SLAYER. Do “Big 4” só viriam ANTHRAX  e MEGADETH cada um como headliner de uma noite diferente e o Headliner da terceira noite ficou a cargo do VENOM. Lá pela reta final surge outro Headliner para o sábado desbancando o ANTHRAX, seria a grande promessa deste evento, o projeto junta-tudo “ROCK AND ROLL ALL STARS” que traria Matt Sorum, Joey Elliot, Jason Newsted, Sebastian Bach,Vince Neil, Steve Steves, Duff McKagan, Gilby Clarke, Mike Inez, Glenn Hughes entre outros, tudo encabeçado pelo linguarudo do KISS Gene Simmons. Cogitou-se até a vinda de Bill Ward, com a sua saída do BLACK SABBATH. Logo vieram as mudanças, Jason Newsted disse que nada tinha a ver com isso tudo e não viria, Bill Ward nem se pronunciou, Vince Neil idem e Matt Sorum tomou a frente do Projeto que agora traria o comediante Charlie Sheen como mestre-de-cerimônia. A banda VOLBEAT que viria no evento não vinha mais. O KRISIUN também debandou alegando que iria para a Europa numa turnê na mesma época e faltando dias para o evento o SHADOWSIDE debandou alegando problemas de logística, ninguém citava problemas de cachê, até então...
  Ao que se soube, as vendas foram baixíssimas, pois a divulgação deste evento inexistiu fora do Nordeste, só sabia quem realmente é do meio, quem busca informação diariamente, do contrário era uma surpresa à todos. Cobertura televisiva também não foi fechada, como? Todos os grandes shows e festivais deste país passam no Multishow que é da Rede Globo e lá dizia que fecharam um contrato com a TV Record Regional ainda por cima? O quê realmente estava acontecendo no ‘reino de Sarney’?
  Bem, chegando em São Luiz na madrugada do dia 19, era visto muitos headbangers surgindo de todos os vôos que desceram no aeroporto, a expectativa era grande.
  Durante a tarde do dia 19 começaram a chegar as primeiras notícias ruins da área de camping e troca de ingressos que não foi efetuada da maneira que deveria, muita gente entrando na área de camping sem ser revistada, outras até sem pagar, a área indoor do camping era em estábulos sujos de esterco e lama, pois ali no Parque da Independência (local distante de tudo e num bairro barra-pesada escolhido para abrigar o evento) tem várias exposições de animais e até um haras lá dentro.

Máquinas em meio ao público (Perigo Iminente)
  Ainda de tarde vem pela internet a primeira péssima notícia, o cancelamento do VENOM que alegou problemas com o visto que foi expedido para a África do Sul invés do Brasil, pura balela, como foi constatado depois por internautas membros do grupo METAL OPEN AIR OFICIAL do Facebook, onde se via que todos os vistos estavam OK há dias, ou seja, Cronos não quis revelar o motivo real da não-vinda do grupo ao nosso país, o que no futuro provavelmente será revelado.
  Na sequência quem cancelou foi a banda brasileira HANGAR onde Aquiles Priester alega que a organização não honrou com o contrato em relação ao pagamento de cachê integral antes do evento. Logo depois as bandas HEADHUNTER D.C. da Bahia e STRESS do Pará também alegaram a mesma coisa. João Gordo do R.D.P. se pronunciou via twitter várias vezes versando sobre o fato da banda também não ter recebido as passagens aérea para se transportarem de SP até MA e isso causou a revolta dele que disse que não era tão ‘fiel ao metal para tirar dinheiro do bolso para tocar’.
  Ainda de noite vem a bomba que faltava, SAXON lança uma nota em seu site oficial avisando que também não iria comparecer ao evento por falta do pagamento.

Vista geral do Fiasco Open Air
  O dia 20, primeiro dia do festival começou carregado de dúvidas. Ao nos dirigirmos para lá de micro-ônibus (com passagem a taxa abusiva de R$8,00 numa cidade em que a tarifa de ônibus é de R$2,10), o motorista adentrou o recinto do show e nos descarregou dentro da Área V.I.P. sem passar por bilheteria nenhuma (pasmem) e nenhuma revista existiu. Eu que mais estava preocupado com minha credencial de imprensa fui me dirigindo para o backstage, ao qual nenhum segurança me barrou, sem identificação nenhuma, fui parar nos camarins (que nada mais eram do que cubículos enfileirados feitos de divisórias de escritório), atravessei a pífia área de alimentação dos artistas (que era uma barraca daquelas de feiras e eventos num chão de piche irregular e com água de chuva empossada) onde me deparei com membros das bandas EXCITER almoçando e logo chegaram os membros do ANVIL que prontamente nos atenderam fazendo fotos e gravações (a mim e mais 3 jornalistas ali perdidos e sem credenciais). Até em cima do palco eu me encontrei, procurando o responsável pelo credenciamento de imprensa, até que me pediram para aguardar que a citada ‘Val’ (que seria a mulher das credenciais) estaria para chegar. Adivinha onde fiquei esperando? Entre a área VIP e o backstage, é mole?

Muro V.I.P.
  A tal Val não chegou e coube a outras duas moças super atenciosas nos distribuírem as credenciais.
  Logo vem a notícia de que várias outras bandas brasileiras não tocariam mais, como EXPOSE YOUR HATE, UNEARTLY, TERRA PRIMA, ÂNSIA DE VÔMITO e OBSCURE, ou seja, uma verdadeira debandada de artistas nacionais.
  Às 15hs começa o primeiro show do evento, com 4 horas e meia de atraso por sinal, sobe ao palco o EXCITER diretamente do Canada o hoje quarteto thrash-metal com o guitarrista e único membro original John Ricci ao lado do batera super carismático Rik Charron, o baixista demoníaco Clammy e o vocalista Kenny Winter a lenda dos anos 80 fez um show excelente, carismático e puramente oitentista o que excitou a plateia que ficou extasiada com o poderio de fogo desses veteranos.

vista geral do Palco "Ronnie James DIO" com o EXCITER
Clammy & John Ricci

Kenny Winter (EXCITER)
Rik Charron (EXCITER)

Encontrando o EXCITER no backstage
  Com um set de uma hora recheado de clássicos da época de ouro da banda , como por exemplo “Evil Omen”, “Pounding Metal”, “Death Revenge”, ”Heavy Metal Maniac”, ”Rain of Terror”, ”Long Live the Loud” e ”Violence & Force” deu pra dar uma animada no público já muito puto com todas as más notícias que não paravam de chegar.
  Vale ressaltar aqui que a infraestrutura do evento não existiu, pois ainda na quinta feira à noite, segundo os campistas, as empresas prestadoras de serviço que iriam cuidar da área de limpeza e alimentação bateu em retirada por falta de pagamento também, levando consigo, todos seus funcionários e alimentos, deixando o público na mão de umas 3 famílias que estavam lá para cozinhar para a equipe técnica fazer PFs para toda aquela gente e recrutou um verdadeiro exército de pipoqueiros para tapear a fome dos headbangers. Onde já se viu pipoca em festival de Heavy Metal? A área de Meet & Greet onde você conheceria todos os artistas envolvidos pessoalmente não existiu e os ingressos que foram vendidos para esta tal área passava de R$1000,00!
  Era bem comum também ver muitos nativos da área empoleirados no muro da área VIP assistindo os shows sentados no arame-farpado e caminhões altos parando na rua lateral que dava visão para o palco com pessoas em cima dos caminhões. Até pessoas perambulando de bicicletas, carros e motos foram vistas em meio ao público. Uma típica visão de país terceiro-mundista subdesenvolvido! E há quem acredite que esse país irá sediar exemplarmente uma Olimpíada e uma Copa do Mundo!

Lado de Fora do "Muro V.I.P."
  Voltando aos shows, após a aula thrash do EXCITER sobe ao palco a banda Israelita ORPHANED LAND que muito animados por estarem no Brasil, trouxeram seu som único e peculiar que mistura o Heavy Metal com Música Étnica proveniente da região central do Mapa-Mundi. Agradaram, mas nem tanto, após uns 20 minutos, do set de uma hora, perderam o foco e o público começou a se espalhar. Nem as piadas do vocalista vestido de ‘Jesus Cristo’ seguraram a atenção do público. Não funcionou.

Orphaned Land
"I'm Not Jesus Christ."

Público do Orphaned Land
  No palco ao lado, após o show do ORPHANED LAND, vieram os brasileiros do ALMAH que entraram no palco com tudo e o público estava feliz por vê-los, até o polêmico vocalista Edu Falaschi começar a dar suas opiniões durante o show. A sua primeira pausa veio para apaziguar a galera, alegando que a produção do evento tinha batalhado muito para trazer um evento desse gigantismo ao Nordeste, carente desse tipo de espetáculo, e que, a exemplo dos outros festivais internacionais como Wacken, Rock in Rio e afins, todos tiveram problemas graves em suas respectivas primeiras edições e que isso era normal. Só para ele que estava com seu cachê no bolso e é acostumado a falar o que não deve!

Edu Falaschi (ALMAH)
Edú (ALMAH) e Henrique (FÚRIA LOUCA)
   Durante o show ainda se irritou com algo que não identifiquei o que foi e começou a atacar alguém verbalmente (me parece que foi a equipe técnica da próxima banda, sei lá), daí foi só ladeira abaixo. Nem a presença do vocalista da banda maranhense FÚRIA LOUCA dividindo os vocais com ele em uma música, nem o anúncio de que ali estava sendo gravadas imagens para um futuro videoclipe fez o público se animar com o show do ALMAH, que mais uma vez se queimou pelas palavras proferidas pelo seu vocalista.
  Durante o show do ALMAH, nas minhas andanças pelos bastidores me deparei com Castor, baixista do TORTURE SQUAD que me garantiu a presença do agora trio no domingo e mais adiante estava chegando duas vans, uma com o pessoal do EXODUS (inacessíveis) e outra com a turma do KORZUS que tocariam no dia seguinte. Ou seja, duas bandas brasileiras de peso que não cancelaram e uma lenda do Thrash mundial que tocaria ainda naquela noite.

Castor (TORTURE SQUAD)

O agora trio TORTURE SQUAD

  Para tirar o ‘gosto ruim da boca’ deixado pela banda anterior, nada como ações de veteranos e foi o que aconteceu. ANVIL subiu ao palco com o baterista original Robb Reiner , o novo baixista Sal Italiano que, ao contrario do nome é de New York e tocava na banda CITIES no começo dos anos 80 e a figura central na lenda tresloucada do Power-Metal mundial Lips, vocalista e guitarrista que estava nitidamente animadíssimo por estar no Brasil tocando num festival a céu aberto e nos divertiu por mais uma hora com suas sandices como falar com o público pelo captador da guitarra ao invés de usar o usual microfone e recheando o show com clássicos como “666”, “This is Thirteen”, “Mothra” e o hino imortal da banda “Metal on Metal” polvilhando um ou outro som do novo disco ‘Jugernaut of Justice’, ele conseguiu botar o público na palma da mão.


ANVIL (porraaaaaaa!)

Lips (ANVIL)
Sal Italiano (ANVIL)

Lips Feliz da Vida (ANVIL)
Robb Reinner (ANVIL) nem aí comigo  hahahaha
  Após esse grande show quem sobe ao palco é a banda SHAMAN, que estava indo muito bem com seu som peculiar que agrada em cheio à todos os fãs de melodic-metal e tal até que o vocalista Thiago Bianchi resolver seguir os passos de Edu Falaschi e proferir bobagens em defesa da organização (ou seria desorganização) do evento, dai ele perdeu uma boa oportunidade de ficar calado, aliás, Edu esta fazendo escola!

Juninho e Fernando (SHAMAN)
Thiago Bianchi (SHAMAN)
   Chega de palhaçadas e vem a destruição iminente da noite, o trio alemão do DESTRUCTION botou aquilo tudo abaixo com o líder, baixista e carismático vocalista Schmier fodendo com nossos tímpanos e dai pra próxima hora as rodas tomaram proporções estratosféricas e a arte de ‘headbangin’ virou coisa de especialistas. Quem não era do ramo nem ousou bater cabeça perto deles! “The Ritual”, “Antichrist”, “Mad Butcher” e “Hate is my Fuel” foram só alguns dos petardos. Detalhe, o mascote da banda, o açougueiro assassino “The Mad Butcher” que até seria o nome da churrascaria do evento (segundo o pseudo-site) não apareceu neste show.

Público Headbanger: eles fizeram o festival.
Mike (DESTRUCTION)

Schmier em momento de glória! (DESTRUCTION)

Saúde!

Schmier (DESTRUCTION)
A Dupla alemã mais respeitada do Metal!
  Galera na fissura e vem um dos maiores expoentes thrash do mundo, o EXODUS e como o líder e guitarrista Gary Holt tinha prometido anteriormente, a banda promoveu uma "violência total e mutilação sonora"!



“Strike of the Beast”, “Toxic Waltz”, “And then There Were None” foram só um por cento do que rolou, inclusive com direito ao mortal e famoso “Wall of Death” que para ficar legal, levou um certo tempo para ser organizado e custou umas 3 faixas do set list que foi cortado. Detalhe: eles tocaram no palco que estava aparentemente reservado e pronto pro MEGADETH fechar a noite, mas não teve jeito foram pra lá sim e mataram a pau com um final maravilhoso que incluiu “Bonded by Blood”!

Gary Holt (EXODUS)

Tom Hunting e Jack Gibson (EXODUS)

Lee Altus e Gary Holt (EXODUS)

Rob Dukes (EXODUS)

Rob e Tom Saudando o Público.(EXODUS)

Roda dos Infernos

  Neste meio tempo a esposa de um amigo nosso mandou uma mensagem em seu celular dizendo que viu na internet as notas de cancelamento de ANTHRAX e o maior nome do evento, ROCK AND ROLL ALL STARS que traria ao Brasil Matt Sorum, Gilby Clarke e Duff McKagan (os três do GUNS AND ROSES), Steve Stevens (BILLY IDOL), Joey Elliot (DEF LEPPARD), Sebastian Bach (artista solo ex-SKID ROW), Gene Simmons (KISS) e Glenn Hughes (artista solo ex-TRAPEZE, BLACK SABBATH, DEEP PURPLE...) entre outros e sendo o paraninfo desta reunião o humorista porra-louca Charlie Sheen, esse era A Banda do evento e não viriam mais segundo nota solta na internet por Shannon Tweed, esposa de Gene Simmons, o motivo era o mesmo, mas vai mexer no bolso de GENE SIMMONS? Aja peito hein?

Tweet de Shannon Tweed esposa do 'homi'!
 Na sequência veio o SYMPHONY X com seu som encorpado e super virtuoso, com destaque para o guitarrista Michael Romeo e o vocalista Russel Allen que tem carisma de sobra e técnica além do limite, acompanhados de Michael Pinella (teclados), Michael Lepond (baixo) e Jason Rullo (bateria). Para os fãs foi um show impecável, mas para quem não é fã e não segue a carreira da banda como eu, foi hora do descanso e pausa para encontrar algo que fosse comestível, o que tava difícil. Um prato com 70% de farinha em 5 pedacinhos de carne era R$10,00, um prato de miojo com legumes que eles insistiam em chamar de yakissoba era R$15,00, o mesmo preço duma gororoba lá que envolvia, arroz, feijão preto, uns fiapos de macarrão e dois pedaços de carne dura. Isso sem contar o carinha (clandestino) que estava vendendo o pedaço de pizza lá por R$5,00 ou os pipoqueiros que já citei anteriormente. Praça de alimentação? O que é isso mesmo?

Russel Allen (SYMPHONY X)

Michael Romeo e Russel Allen (SYMPHONY X)

Os 2 Michael's, o Romeo e o Lepond (SYMPHONY X)

SYMPHONY X

Comer aí? Cadê o 'Mad Butcher'?
 O último show da noite, que parecia ser excepcional veio como a ‘cereja do bolo de merda’ que foi a primeira etapa do M:O:A:. MEGADETH subiu ao palco com um Mustaine chapado e que nem sabia o que estava fazendo alí, mal cantou e sua guitarra estava horrivelmente mal tocada. Restou aos outros músicos salvarem a pátria e mesmo assim não deu muito certo pois a guitarra de Chris Broderick não parava de falhar e a cada música tocada Mustaine saía do palco, levando consigo o resto da banda. Não conseguia ficar 2 músicas seguidas no palco, um fiasco como o evento em que tocaram! Impossível não comparar essa apresentação do MEGADETH com uma de 5 meses atrás no interior de SP, no festival S.W.U. em Paulínia (festival esse desdenhado pelas produtoras do M:O:A:) onde a banda fez uma excelente e poderosa apresentação o aqui no Maranhão esse fiasco a olhos vistos. Será que o Mustaine fugiu da Igreja?
  E assim, lá pelas 4:00hs da manhã encerrava-se tristemente o primeiro dia do M:O:A:.

Chris Broderick (MEGADETH)
MEGADETH em ação

David Ellefson (MEGADETH)



Mustaine e Broderick (MEGADETH)

Dave Mustaine (MEGADETH)

Porta do 'camarim' de MEGADETH (não é piada não.)

Rattlehead

Shawn Drover (MEGADETH)
 O segundo dia começou tenso e com várias péssimas notícias. Um conhecido nosso estava no mesmo hotel que a banda U.D.O. e o guitarrista da banda disse a ele que o show estava cancelado. Na internet pipocavam notas das bandas GRAVE DIGGER no Facebook e BLIND GUARDIAN em seu site oficial cancelando seus shows no M:O:A: e GLENN HUGHES era óbvio que não viria, pois ele era do time que havia cancelado na noite anterior. Só restava KORZUS e LEGION OF THE DAMNED. Não iríamos sair debaixo de chuva forte para aquele ‘fim-de-mundo’ chamado Parque da Independência de táxi para ver ninguém. No G1 já diziam que o evento estava 100% cancelado. Nos reunimos no hotel para ver se valia a pena ir. Chegamos a conclusão que se estávamos no Maranhão e o resto era consequência, quisemos ver com os próprios olhos a derrocada, registrar tudo, inclusive eu como parte da imprensa e ver se ia ter quebra-quebra.

Cadê os camarins?

Cadê o Palco 'Ronnie James DIO'?

Camarins, pra quê?
 Chegando lá, às 18hs tinha uma banda no palco (que deveria ser batizado com o nome do saudoso Cliff Burton), o outro palco (que deveria ser o Ronnie James DIO) já estava parcialmente desmontado por falta de pagamento da equipe de luz e som do evento. Segundo headbangers acampados no evento, ouve um princípio de excitação negativa no público presente quando o palco começou a ser desmontado, recebendo algumas poucas notícias de fora, os campistas sabiam que o BLIND GUARDIAN não tocaria mais e queriam invadir o palco, mas foram apaziguados por um dos poucos ‘laranjas’ que ralavam feitos loucos nos bastidores pra trazer as bandas do hotel para o palco que os implorou para não acreditarem na internet pois o BLIND assim como os outros artistas iriam aparecer, eles estavam hospedados na cidade e apareceriam para tocar. Mas nesse ínterim a equipe de segurança também não deu as caras, pois não receberam garantia financeira e quem apareceu foi a equipe para desmontar os pífios camarins feitos de divisórias de escritório e leva-los embora pelo mesmo motivo.
ÁCIDO em ação (primeira banda do sábado às 18hs).
  Apaziguados, os responsáveis e pacíficos bangers foram agraciados com a primeira banda do dia (ou da noite) às 18hs, o maranhense ÁCIDO que, seguido do espetacular DARK AVENGER fizeram shows maravilhosos em termos de Heavy Metal, na medida do possível com tanta falta de estrutura eles bradaram petardos próprios cunhados a base de fortes guitarras, baixos contundentes e baterias perfeitas, além dos vocais metálicos, coisa de veteranos. Meus parabéns aos músicos das bandas ÁCIDO e DARK AVENGER!


Muro V.I.P. parte II

Acampados nos estábulos, vergonha e humilhação!
  Após uma demora sem fim eis que surge uma van com músicos estrangeiros, eram os holandeses membros do LEGION OF THE DAMNED que bravamente vieram se apresentar naquela vergonha que se transformou o M:O:A:, o local era um lixo só, desde o camping até os (inexistentes) bastidores, horrível! Os produtores que nunca eram encontrados das empresas Negri Concerts de São Paulo e Lamparina Filmes do Maranhão deveriam se envergonhar de manchar o nome do Heavy Metal Brasileiro em todo o mundo.
  O L.O.T.D. era uma banda desconhecida pela maioria do público (de número indefinido, graças ao tamanho gigantesco do local e as pessoas ficavam espalhadas por todo imundo  recinto). Executaram perfeitamente um impecável e poderoso show de Thrash Metal que deu uma melhorada no ar. Ganharam vários fãs, isso ficou notado. A área V.I.P. tinha sido invadida pelo público em geral e, segundo relatos, vários transeuntes adentraram o recinto por um portão paralelo ao lado da área V.I.P. e lá dentro cometeram vários furtos e depois fugiram pulando o muro, o mesmo muro que ficou conhecido como o ‘Muro V.I.P.’, pois alí em cima entre os arames farpados vários moradores dos arredores ficaram empoleirados assistindo o festival todo. Pra isso que as pessoas pagaram mais de R$1000,00 em um ingresso V.I.P.? Lá tinham famílias inteiras, adolescentes e até pequenas crianças de 5 a 12 anos acompanhadas de pai e mãe. Lamentável de novo!

Estábulo que serviu de acampamento indoor

Público afim de ver o STRSS

Merchandise de bandas que não tocaram tinha aos montes

O público veio de todas as partes do país e até de outros países vizinhos.

Telão com a marca que ninguém mais quer ver.
  Demorou muito o intervalo entre o LEGION OF THE DAMNED e o próximo nome a subir no palco, que cogitaram muito em ser o U.D.O. e acabou sendo o KORZUS. Os boatos e inclusive as notícias ‘oficiais’ passadas aos membros de imprensa presentes no local dava a crer que o U.D.O. estava chegando e, se tudo ocorresse bem no show deles, o GRAVE DIGGER  e o BLIND GUARDIAN que ainda estavam na cidade se apresentariam, estavam apenas esperando chegar uma equipe de segurança decente. O que não aconteceu. Pegaram uns 30 moleques magricelas da cidade mesmo e botaram paletós pretos neles para dar um ar de seguranças, os botaram nos portões que separavam a pista da área V.I.P., a área V.I.P. do backstage e defronte ao palco. Resultado, outro lixo de serviço, muito bate-boca entre membros da imprensa e esses moleques que queriam nos barras em todo lugar que nos viam passando e até pessoas com a pulseira V.I.P. foram barradas. Nada contra esses garotos, mas, eles mal sabiam ler e foram contratados para serem seguranças de um evento cheio de turistas de toda parte do país e até de outros países como Colômbia, Bolívia, Venezuela e Argentina, isso sem contar os músicos de outros países! Outra bola fora.


LEGION OF THE DAMNED

Pela primeira vez tocando fora da Europa

LOTD

  Após muita espera sobe ao palco um cara que gritou:
  “-E aí galera, vocês aguentam mais UM show? Com vocês KOOOOOOORZUUUUSSSSSS”
  Me perguntei: “O quê ele quis dizer com ‘mais UM show’? Era óbvio que este seria o último show do Evento como um todo, mesmo tenta ainda um dia completo.
  O KORZUS subiu no palco com tudo e veio para ‘lavar a alma’ dos headbangers humilhados alí presentes. Com aquela garra peculiar Pompeu (vocalista), Dick (baixista) e Antônio (guitarrista) conversaram e atiçaram o público o tempo todo. Depois de 2 músicas Pompeu parou para conversar com a galera e falando que ele se lembrou da música escrita por eles em 1983 chamada “Guerreiros do Metal” lançada em 1986 na mítica coletânea “S.P. Metal II” por Luís Calanca da Baratos Afins. Ele disse que os verdadeiros Guerreiros do Metal estavam alí embaixo, em meio a lama, a merda, a sujeira e resistindo à três dias para ver as suas bandas preferidas e que aquele festival era uma verdadeira PALHAÇADA, que era pra gente esquecer tudo aquilo e se concentrar no momento, “Agora aqui é o show do KORZUS e mais nada, só o que interessa somos nós e vocês!” foi uma das frases de Marcelo Pompeu que dedicou ao público a próxima música “Respect” que já estava no Youtube no dia seguinte ao show.

Pompeu, porta voz do público (KORZUS)

KORZUS do Brasil!

Público patriota!
  O coro continuou comendo e ele continuou defendendo o público em detrimento aos organizadores que neste exato momento saiam ‘na porrada’ nos bastidores e isso você deve ter acompanhado pelos sites, um dia após tudo ter acontecido, gerou muito ‘disse-me-disse’ entre os envolvidos e não vou me ater a essa falação. Ao contrário das bandas de sexta-feira, as de sábado simplesmente chegaram e tocaram seus Heavys sem defender ninguém da produção e o KORZUS foi além comprando a briga do lado do público, com o por exemplo na hora em que Dick Siebert (baixista fundador da banda ao lado de Marcelo Pompeu) perguntou à Pompeu “Cara, você acha que eles viram o ‘Wall of Death’ do Rock in Rio?” ao que Pompeu prontamente respondeu que sim e que ali naquela hora eles iriam fazer uma versão maior e mais fudida do ‘Wall of Death’em que eles (sim, os 5) separaram o público em dois ‘times’, os ‘humilhados’ e os ‘guerreiros’ e no meio (aquele vão enorme e vazio onde ocorre a fictícia carnificina) Pompeu pediu para imaginarem “um membro da produção ai no meio, Prontos? Vaaaaaaaai!”
    Isso desencadeou o maior e mais furioso ‘Wall of Death’ que eu já vi!



Vítor Rodrigues com o KORZUS

Wall of Death, impossível registrar isso!
 Depois disso foi só roda e pogo até o fim do show. Com várias paradas para protestos onde a população local presente no show aproveitou parar protestar contra a família coronelista de Jose Sarney que é quem comanda o Maranhão à décadas.
  Durante o show, uma grande surpresa: Pompeu chamou ao palco um grande amigo, mais novo que ele e que segundo disse lhe dava grande orgulho ao lhe ver cantando, era Vitor Rodrigues (ex-vocalista do TORTURE SQUAD, ele anunciou a sua saída da banda na semana anterior e a banda estava presente lá desde o primeiro dia, pois tocariam no domingo como trio, já que Vitinho não cantaria mais na banda) e com ele Pompeu dividiu os vocais de “Agony’ clássico da banda dos anos 90. Vitor Rodrigues, quando ainda cantava no TORTURE SQUAD foi um dos que anunciou em primeira mão a realização do METAL OPEN AIR em São Luiz do Maranhão e muito admirado e respeitado na cena.

Heros Trench honrando a Bandeira Brasileira!
  Ali no espaço reservado pra imprensa fotografar o show, entre público e palco já tinha muita gente, vários pseudos-seguranças nos atrapalhavam e de repente começou a chegar uns ‘jornalistas’ meio estranhos e que nada tinham a ver com a imprensa especializada em Rock, isso era notável, então resolvi assistir o restante do show de cima do palco onde já tinham vários repórteres e fotógrafos da cena Rocker Nacional. Eis que ao fim de uma música o roadie da banda começou a pedir pra gente invadir o palco com as máquinas fotográficas em punho e Pompeu começou a nos apresentar pra galera como “jornalistas que estavam ali para documentar e denunciar as dificuldades que os fãs estavam passando naquele fim-de-semana e que deveríamos ser respeitados pelos fãs que prontamente nos aplaudiram e ainda pediu para todos erguerem seus pulsos com o símbolo do Heavy Metal em riste (o famoso Maloik ou Horns Up) que nós iríamos fotografar e várias bandeiras começaram a ser abertas também, bandeiras de todos os estados possíveis deste país, Pará, Minas Gerais, Amapá, Ceará, Pernambuco (terra natal do guitarrista Antônio que momentos antes bradou isso a plenos pulmões e foi amplamente aplaudido) entre tantos outros...Na sequência pediu a todos para cantarem um trecho do Hino Nacional, como tinha feito no Rock in Rio do ano anterior e então todos (inclusive nós no palco) começamos a cantar “...Gigante pela própria natureza, és belo e forte impávido colosso...e teu futuro espelha essa grandeza, terra adorada, entre outras mil és tú Brasil, ó pátria amada, dos Filhos deste solo és mãe gentil, Pátria Amada Brasil!”

Dick Siebert

Vítor Rodrigues e KORZUS

KORZUS

Respeito acima de tudo!

De cima do palco deu orgulho de ser desta cena!
  Todos nós, jornalistas headbangers saímos do palco estupefatos e boquiabertos com o respeito que o KORZUS demonstrou o show inteiro para com os fãs e até a imprensa do meio Rock Brasileiro. Digno de nota e nosso profundo respeito. (vejam no Youtube vários vídeos deste show.)
  Ao final a banda ainda tocou “Catimba” e a citada faixa no princípio do show, “Guerreiros do Metal” que foi elevada ao patamar de maior clássico da noite e bangeada até pelos jornalistas!

Tweet da banda KORZUS em homenagem aos Headbangers.
  Foi o fim do festival, a maioria não sabia disso, mas nós do backstage sem nenhuma informação de parte nenhuma já tínhamos nos dado conta disso e fomos embora, para saber no começo do domingo que o Festival tinha sido 100% cancelado e oficializado por Natanael Jr. da Lamparina Filmes (uma das produtoras) na internet, pois a essa altura já tinha estourado em tudo quanto era site a notícia de que ele e seu ex-parceiro da Negri Concerts de SP Felipe Negri tinham se pegado na porrada durante o show do KORZUS. Isso não nos cabe julgar, mas sim o que se ocorreu depois. 
Literalmente jogados fora (Aeroporto)

Acampados em frente ao Aeroporto

abandonados no Aeroporto (ou Aerotenda né?)
Os campistas ficaram ao ‘Deus dará’, sem luz e sem segurança nenhuma dai em diante. No domingo cedo o segundo palco já estava praticamente desmontado e os campistas desesperados e perdidos, pois a maioria tinha vôo agendado somente para a segunda feira, o quê fariam no domingo e onde dormiriam naquela noite? Muitos procuraram pousadas e hotéis, totalmente lotados e alguns sem condições financeiras de ir para um hotel ou pousada como um grupo de Colombianos que só poderiam voltar na segunda para seu país. Muitos migraram para as praias por acharem ser mais seguro do que naquele ‘fim-de-mundo’ isolado de tudo e sendo visado pelos meliantes.  Outros até na porta do aeroporto foram acampar ou dormir lá dentro mesmo, pois no aeroporto ao menos tinha segurança e comida. Neste mesmo dia já passava em todos os canais de televisão as tragédias que aconteceram neste evento, enfim o HEAVY METAL estava na TV Brasileira em horário nobre. VERGONHA!
  M:O:A: = Muitos Otários Acreditaram. Eu sou um Otário.
FOTOS de:
Alexandre Quadros
Aglair Baldan
Lorena Beasthrash

Kenny (EXCITER)

John Ricci (EXCITER)

EXCITER em ação

John Ricci (EXCITER)

EXCITER assistindo o show do ANVIL da lateral do palco

Guerreiros do Metal!
ANVIL e seu público

Lips (ANVIL)

Lips e Robb assistindo o EXCITER do palco

Lips falando pelo captador

Robb Reiner (ANVIL)

Robb e Rik (ANVIL e EXCITER) os dois bateristas juntos.

Robb e Sal Italiano (ANVIL)
Mulheres também batem cabeça!

Headbangin'men!

Schmier (DESTRUCTION)

Schmier no final do show do DESTRUCTION
Robb e Gary Holt (EXODUS)

Robb e Jack (EXODUS)

Tom Hunting (EXODUS)
Gary Holt (EXODUS)
Dave Mustaine aplaudindo o público ordeiro e civilizado.

Explicando a situação

Cantando 'Symphony of Destruction'

solando em 'Symphony of Destruction'

repare que não há retornos no palco do MEGADETH

Dois guerreiros tentando se fazerem ouvir

David Ellefson, o braço direito de Mustaine

Chris Broderick (MEGADETH)

David Ellefson (MEGADETH)

Shawn Drover (MEGADETH)

Eu com o pessoal do TORTURE SQUAD e KORZUS, os verdadeiros Headliners desse evento!
(FOTOS: Alexandre Quadros e Aglair Baldan)





4 comentários:

  1. Tem foto tirada por mim aí, que legal! \o/ na verdade, eu até apareço em uma delas. Agora, vou ter que falar, brother, nada a ver essa legenda "público do Stress" na foto da bandeira do Pará. Logo na quinta pra sexta-feira toooodo mundo já sabia que eles tinham cancelado antes do fest começar! HUAUAHHUAHUHAUHUAHUUAH
    "Mulheres tbm batem cabeça".....???
    Nossa, que coisa tão estranha ter banger mulher, né? Oooohhh, meu Deus! UHAHUHAUHUAHUAHUHUAHUAUH
    Mas to zoando, o texto tá muito legal, rapah! =]

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  2. O Lorena, valeu se manifestar, vou botar o crédito lá e sim, escrevi "Mulheres tbm batem cabeça" para ironizar quem pensa o contrário. Valeu o apoio.

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  3. Saudações!
    Fico pobre para comentar da coisa de imprensa e camping. Eu estava empolgado mesmo com o primeiro dia e tirando o STRESS e uma ou outra, assisti as bandas que queria. Em contrapartida, eu curti o ÁCIDO e foi uma descoberta e tanto.

    Acho muito triste todo mundo se referir ao festival como uma bosta, como tendo sido no cú do mundo. Tb me entristece vocês criticando a comida do evento, já que em nenhum outro show eu comi tão bem por tão pouco. Mas claro, eu curto marmita, comida de verdade, e não Mac Donalds. Sobre o lugar ser longe, periferia, comparado a onde nasci em São Paulo, lá era lindo. Achei uma iniciativa foda mesmo levar o Metal para o Nordeste longe do eixo Rio-SP-MG. Sorry, mas fica muito crítica gourmet.

    A coisa da venda de ingressos ter sido baixa foi uma MENTIRA que saiu na tevê domingo. Não tinha uma vaga em pousada ou pensão, hotel, ou onde for. Só caberia mais gente se um subisse no ombro do outro. O que ninguém até hoje explicou é como houveram tantos cancelamentos, onde estava o dinheiro para pagar seguranças e toda a equipe de monte e desmonte de palco etc. Será que um dia sairá a verdade. Tinha público suficiente para o festival ter acontecido, isso era óbvio.

    O lado ótimo do festival é que parecia que só tinha Headbanger na cidade. Em todo lugar, todo lado. Tava rolando Slayer na praia! O bar de rock tava lotado no domingo à noite. Tava um clima inesquecível. Era como se fosse uma cidade só para a galera do metal. Pude rever 70% dos meus amigos do Nordeste, trombei gente de SP, SUL, DF e isso impagável. A gente bebeu e se divertiu como nunca.
    Por isso digo que o festival foi ótimo.

    Abraços!
    *
    Willba (músico, jornalista musical e sociólogo).

    http://rockdissidente.blogspot.com.br/

    http://achavedosol.blogspot.com.br/

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