segunda-feira, 17 de julho de 2017

Clássico do HC paranaense, TUMULTO relança seu début 25 anos depois


DISCO: “Conflitos Sociais”
ANO: (1992) relançamento - 2016
SELO: Independente/Roadie Metal (http://roadie-metal.com/)
FAIXAS:
1.  Realidade/
2.  Massacrados/
3.  Corruptos/
4.  Conflitos Sociais/
5.  Humanidade Desumana/
6.  Sociedade é uma Prisão/
7.  Meu Filho/ (CÂMBIO NEGRO HC)
8.  Desconstrução/ (AÇÃO DIRETA)
9.  Medo (CÓLERA)

  Estamos falando aqui sobre um documento histórico!
  O TUMULTO é um dos nomes pioneiros do Hard Core paranaense. Formado em 1991 em Foz do Iguaçu/PR a banda rodou o Brasil nos últimos 25 anos com várias formações e vários lançamentos de respeito tocando ao lado de grandes figuras inclusive tendo passeado pelo Crossover com Thrash Metal em inglês em determinada época de sua carreira.
  Com apenas um ano de estrada a banda lançou um Split chamado “Conflitos Sociais” com letras fortes que retratavam aquela lama-sócio/financeira em que o Brasil estava no começo dos anos 90 (época de impeachment do presidente da nação e altíssima taxa de desemprego), esse play foi produzido pelo saudoso e respeitado Redson (vocal/guitarra do CÓLERA). O play fez tremendo barulho na cena underground na época e eis que 25 anos depois, quando o país se encontra numa fase beeeeeeem semelhante àquela vivida na época do lançamento original, a banda, atualmente um power-trio liderado pelo baterista Márcio Duarte (único membro original), resolveram regravar o esgotado disco com condições técnicas atuais, beeeeem melhores que a da época. Completam a banda Germano Duarte (guitarra e vocal) e Rafael Feldman (baixo).
Germano Duarte (g/v), Márcio Duarte (bt), Rafael Feldman (bx)
TUMULTO

  A sonoridade da banda é simples, poderosa e pesada, com pegada Thrash, velocidade HC e peso do Heavy Metal, boa mesmo pra bater cabeça, com letras pra fazer pensar, socar o ar com o punho em riste e berrar!
  Pra completar essa nova releitura do disco original incluíram três canções que são de extrema importância para a formação da banda, ‘Meu Filho’ do CÂMBIO NEGRO HC, ‘Desconstrução’ do AÇÃO DIRETA e o hino do Punk nacional ‘Medo’ do CÓLERA.
  Corram atrás deste pedaço da nossa história!









sábado, 15 de julho de 2017

KAMBOJA – “Até o Freio Estourar”


DISCO: “Até o Freio Estourar”
ANO: 2017
SELO: Baratos Afins (http://www.baratosafins.com.br/)
FAIXAS:
1.  Filha dos Anjos/
2.  Pra Sempre Campeão/
3.  LOCO – MOTIVA/
4.  Janela dos Tolos/
5.  Ziriguidum Blues/
6.  Frágil como o Vidro/
7.  Célia/
8.  O Canto da Morte/
9.  S-21
  Em 2013 eu descobri uma banda nova no melhor estilo ROQUENROU que contava com Paulão Thomaz (na época do BARANGA) na bateria e o histórico dele ajuda, afinal, pra mim, o Paulão Thomaz é uma espécie de ‘Midas do Rock Pesado Brasuca’, afinal, som que tem suas baquetas, vira ouro (vejam CENTÚRIAS, FIREBOX, BARANGA, GÜDENLAWD, CHEAP TEQUILA, etc...) e no balcão do bar (lugar sugestivo) da casa de shows onde iria rolar o festival “Super Peso Brasil” no mesmo ano, eu encontrei o Fábio Maka, vocalista desta promessa, lá fiz uma rápida entrevista com ele (http://tocadoshark.blogspot.com.br/2014/01/kamboja-o-novo-ataque-sonoro-do-rock.html) e desde então sempre foi um grande prazer acompanhar os sucessivos trabalhos desta banda que chega agora ao seu terceiro disco cheio que, pra dar mais moral, foi lançado pelo lendário selo Baratos Afins do Luiz Calanca, figura que nunca lançou porcaria nesses últimos 40 anos e está investindo pesado nesse disco novo do KAMBOJA que também conta com o excelente guitarrista Edu Moita e o versátil baixista Edu Fiorentini.
Maka (v), Paulão (bt), Moita (g), Edú (bx)
  Pois bem, as letras são em bom português sobre situações notívagas, sacanas, lascivas como em ‘Filha dos Anjos’, ‘LOCO MOTIVA’ e ‘Ziriguidum Blues’, a mais criativa pra mim, que narra a cruza de um rockeiro nato com uma mulata passista de escola de samba, dando uma liga poderosa, vale muito à pena acompanhar esta letra que é uma saga das mais picantes.

  Mas também temos letras sérias como ‘Pra Sempre Campeão’, tributo da banda ao eterno herói brasileiro Ayrton Senna, ‘Janela dos Tolos’ sobre os julgamentos virtuais aos quais somos sujeitos todos os dias. Temos também ‘Frágil como o Vidro’ narrando dificuldades diárias de nossas vidas e ‘Célia’ uma singela canção que homenageia todas as grandes e lutadoras mulheres que nunca fogem às lutas impostas pela dureza do dia-a-dia. O peso também tem espaço em ‘O Canto da Morte’ e pra fechar o disco uma estória triste e canção tão densa quanto o tema, ‘S-21’ que foi uma espécie de DOI-CODI do Camboja na ditadura vivida por lá nos anos 70, hoje lá temos o Museu do Genocídio, só pra terem uma ideia.

  Esse é aquele disco que o cara só não gosta se for louco ou tiver um péssimo gosto, pois não há meias notas nem meias palavras, é como diz o título, um trem descarrilado pra cima da audiência. Vai KAMBOJA!
Corra atrás do seu: http://www.baratosafins.com.br






KAMBOJA com o patrão Calanca na porta da firma Baratos Afins

HERETÏC – é Death, é Heavy, é música étnica, é música indú, é Arte de peso!


DISCO: “The Pessïmïst”
ANO: 2015

SELO: Two Beer or Not

Two Beer Music/ Blastbeat Rec.
FAIXAS:
1.  Nameless Magïck/
2.  Arak/
3.  Sïtar Bomb!/
4.  The Pessïmïst/
5.  Act V/
6.  Interlude/
7.  Ouzakïa/
8.  Ras Dïvïne Lïght/
9.  Dead Language/

10. Genesïs (GHOST)/

11. Caravans to Ur (MELECHESH)/
                               
  HERETÏC palavra inglesa que quer dizer Herege, e o que é Herege? Herege é quem adota ou sustenta ideias, opiniões, doutrinas etc. contrárias às admitidas por um grupo. E este grupo musical escolheu o nome ideal então, afinal, oriundos de Goiânia (GO), a dita capital da música sertaneja no Brasil (leia-se aquela porcaria midiática de péssimo gosto difundida pela grande e massiva mídia manipuladora brasileira), o que este grupo faz, capitaneado pelo multi-instrumentista Guilherme Aguiar é nada mais nada menos do que uma heresia, afinal, ele está indo contra tudo que está estabelecido há anos em sua terra, até porque ele faz
um som instrumental totalmente calcado numa temática étnica do oriente médio (leia-se Egito, Índia, etc) misturada sem pudores com o peso do Metal mais extremo (lembrem do DEATH, MELECHESH, guitarras de heróis tipo SATRIANI, VAI entre outros) e experimentações das mais diversas (RAVI SHANKAR), tudo mesclado com extremo bom gosto e primazia de quem sabe o que está fazendo de cor e salteado.


  Como definir a obra d’uma banda que está por aí há anos, com mais de sete lançamentos oficiais (este é o quarto deles)? Eu acredito que só tem um jeito, ouvindo, as nuances, as influências, as informações, os instrumentos são dos mais variados, tudo grudado com uma goma de extremo bom gosto, assim como a arte gráfica que embala este disco em questão, digipack de ótima qualidade, com uma capa genial e minimalista que lembra um antigo livro ou um velho quadro numa suntuosa parede de ouro com o escaravelho entalhado em baixo relevo, impressionante.
  Vários canais podem ser usados para conhecer o que de melhor Goiânia nos oferece atendendo pelo nome de HERETÏC, e aqui seguem alguns:
http://heretika.wixsite.com/hereticbrazil



sexta-feira, 16 de junho de 2017

GOLPE DE ESTADO TOUR DE 30 ANOS - 10 de Junho de 2016 - Clash Club/SP


GOLPE DE ESTADO CELEBRA SEUS 30 ANOS COM UMA NOITE DE BALADA RECHEADA DE SURPRESAS!

    Tudo bem que os 30 anos da banda já passaram (em 2015), mas quem liga, queremos mais é ver o GOLPE DE ESTADO na atividade e o time atual (ao contrário do que alguns detratores rezam) faz jus ao legado desta que pode ser tranquilamente nomeada a mais criativa das bandas de HARD ROCK em português deste país que vira cara aos mais honrados filhos teus.
    Há mais de 30 anos no baixo da banda, hoje Nelson Brito segue como único remanescente de todas formações e, mesmo dando uma desanimada após a morte do guitarrista Hélcio Aguirra (21 de janeiro de 2014), logo ele voltou atrás com o baterista Roby Pontes no seu posto e recrutando o ex vocalista Rogério Fernandes e com Marcello Schevano (CARRO BOMBA, CASA DAS MÁQUINAS, ex PATRULHA DO ESPAÇO) segurando as seis cordas, afinal ele era um pupilo do Hélcio. Por bem Rogério seguiu somente com sua atual banda CARRO BOMBA cedendo seu posto ao ‘The Voice’ João Luiz (ex KING BIRD e atual CASA DAS MÁQUINAS) e assim a banda seguiu na estrada celebrando suas três décadas, mas ano passado uma surpresa pegou a todos. Após duas décadas longe da banda o vocalista original Catalau (atual pastor da igreja Bola de Neve) resolveu fazer participação especial num show/celebração da banda causando enorme furor no underground paulista e depois desta festa a banda resolveu registrar um CD ao vivo comemorando esses 30 anos com a participação do Catalau e do Rogério dividindo os vocais com João Luiz, mas, não ficaram só nisso e recrutaram também o tecladista do TOMADA Matheus Schanoski e os guitarristas Luiz Carlini (TUTTI-FRUTTI) e Andreas Kisser (SEPULTURA) para incendiarem os amplis, tudo isso registrado por ninguém menos que Heros Trench (KORZUS) para o futuro CD de 30 anos.
Nelson Brito e a dita cuja!

    A banda começou seu show de celebração por volta das 19:45 no Clash Club em São Paulo, na noite de 10 de Junho de 2017 com Nelson Brito e Luiz Calanca (proprietário da loja/selo BARATOS AFINS) empunhando uma guitarra Tagima preto-e-branca que pertencia ao falecido Hélcio Aguirra, colocando ela no seu devido lugar no centro do palco para em seguida, com João Luiz na voz, Roby Pontes na bateria e Marcello Schevano na flying V branca começarem a festa com ‘Na Vida’ e ‘Underground’ que ascendeu a plateia já numerosa, abrindo caminho para o primeiro hino da noite, ‘Noite de Balada’ com a primeira participação de Schanoski nos teclados.

    Em seguida fizeram o tema mais novo da noite, ‘Feira do Rato’ do último disco da banda “Direto do Front” (2012), o que me despertou a primeira pergunta, porque a ausência do vocalista Dino Linardi (que gravou este disco) nesta festa? Mas logo os questionamentos sumiram de minha mente, afinal, meu coração foi sequestrado pelo próximo tema, certamente o primeiro ou um dos primeiros que conheci da banda na minha adolescência, ‘Zumbi’ do disco maravilhoso de mesmo nome de 1994, acabei com minha garganta, assim como muitos por lá e a seguinte arrancou até lágrimas, ‘Paixão’ um dos maiores sucessos radiofônicos da banda. O tema seguinte eu jurava que seria cantado pelo Catalau, mas não foi o que aconteceu, ‘Filho de Deus’ seguiu com João Luiz na voz, mas que logo chamou reforço, e então Rogério Fernandes invade o palco com a sua usual simpatia e garganta magnificamente ofensiva para atacar em dupla com João ‘Quantas Vão’ e sozinho seu tema ‘Todo Mundo tem um lado Bicho’, cantada em uníssono pelos presentes. Vale destacar aqui a camiseta da banda mineira CONCRETO vestida por Rogério durante toda noite.
Nelson Brito, Roby Pontes, Rogério Fernandes, João Luiz e Marcello Schevano

Rogério Fernandes soltando "seu lado bicho" no palco
    João Luiz e Matheus Schanoski voltam para ‘Forçando a Barra’ e ‘Cobra Criada’ e em seguida dão lugar ao momento mais esperado da noite, a presença de Luiz Carlini e Catalau que entra empunhando um violão para esmerilharem uma versão lindamente inspirada de ‘Olhos de Guerra’, onde o violão e a voz de Catalau emocionaram a todos no início para em seguida Carlini e Schevano arrepiarem a plateia com suas guitarras encharcadas de feeling (vejam mais neste link filmado por um fã: https://www.youtube.com/watch?v=QQqt_8pSMao), daí em diante Catalau dominaria a festa por um bom tempo, intercalando canções de sua fase com declarações apaixonadas ao público, aos músicos e piadas trocadas com seu velho parceiro Nelson Brito, aliás, os comentários desses dois entre eles eram os momentos ‘stand-up’ da noite, arrancando gargalhadas saudáveis de todos os presentes, em cima do palco inclusive.
Carlini, Catalau e Schanoski (ao fundo)
  Na voz de Catalau vieram ‘Caso Sério’, cantarolou todo feliz e à capela o refrão de, adivinhem vocês, ‘Filho de Deus’. Em ‘Terra de Ninguém’ Catalau manda um recadinho aos vagabundos de Brasília em dobradinha com João Luiz, ‘Mal Social’ foi apontada por ele como uma das suas letras mais ácidas e contestadoras. Agora era hora dele dividir a festa e o palco com seu substituto na banda Rogério Fernandes que, segundo o próprio Catalau, “...herdou um abacaxi quando entrou na banda.” Dividiram os vocais de ‘Velha Mistura’ de uma maneira festeira e inspirada que somente bons amigos poderiam fazer. Logo ele volta a ficar sozinho no microfone para ‘meditarmos’ ao som de ‘Ignoro’ lindamente interpretada. Após mais algumas piadas trocadas com Nelson e até Luiz Carlini que estava na lateral do palco, Catalau chama de volta ao palco João Luiz para cantarem em dupla ‘Real Valor’, mas não sem antes encher a bola de João reverenciando seu dom vocálico, esta seria a última de Catalau nesta noite que agradeceu demais a oportunidade de subir ao palco com “...um time de sobreviventes do Rock and Roll...” como ele mesmo disse.


Catalau em cima do palco, feliz feito criança em loja de doces!
   Vale ressaltar o clima de felicidade e empolgação quase adolescente que Catalau expressou durante toda a noite, embasbacado com a acolhida do público e o talento individual de cada músico que ali tocou com ele. Era nítida a sua entrega ao bom e velho Rock and Roll do GOLPE DE ESTADO que ele ajudou a cunhar durante uma década. Esse tipo de exemplo deveria ser seguido por todos aqueles músicos e seres humanos que abandonam sua antiga vida para seguir uma nova crença, a de não darem as costas às coisas boas que fizeram no seu passado. Catalau é um exemplo de ser humano e músico sim e todos os presentes nesta noite viram isso!
Catalau em alta performance amparado pelo seu velho comparsa
Nelson Brito (bx) e os talentosos 'meninos' Roby Pontes (bt) e Marcello Schevano (g/bv)
GOLPE DE ESTADO!

    Pra encerrarem esta noite de festa, João e Schanoski retornaram para executar ‘Não é Hora’, outro grande sucesso radiofônico da banda, seguida de um solo monstruoso de Roby Pontes na bateria exorcizando qualquer resquício que a ausência Paulo Zinner poderia ocasionar (segundo Nelson, ele foi convidado para festa, mas preferiu abdicar do trono, infelizmente, uma falta sentida por todos). Não por menos Roby está atrás dos tambores há quase uma década já! ‘Onde há Fumaça há Fogo’ precedeu a chegada do último convidado especial, segundo Nelson Brito: “...esse convidado, ao contrário dos políticos brasileiros, não nos envergonha perante o mundo e sim nos orgulha!” Andreas Kisser empunhando uma SG preta meteu seu peso metálico nos temas ‘Nem Polícia Nem Bandido’ e ‘Libertação Feminina’ que virou um duelo de guitarras afiadas e explosivas entre Kisser e Schevano.

Andreas Kisser no final pesado da noite!

  Não poderiam ter um encerramento mais poderoso que este! A banda saiu aos gritos de “GOLPE! GOLPE! GOLPE!” e de “HÉLCIO! HÉLCIO! HÉLCIO!” puxado por Luiz Calanca, encerrando assim uma noite de balada inesquecível que foi devidamente registrada pela equipe do estúdio ORRA MEU e Heros Trench. Em breve teremos ele em mãos Brasil afora!



(N.do R.: Nenhum tema do disco “Pra Poder” de 2004 gravado com o vocalista Kiko Müller foi executado nesta noite, sabe-se lá porque, afinal, na muvuca dos camarins eu não consegui entrevistá-los.)
















Honra máxima conhecer esses dois Heróis do Rock!
Catalau (eterno GOLPE DE ESTADO) e Luiz Carlini (eterno TUTTI FRUTTI)

Matheus Schanoski (t), Roby Pontes (bt), João Luiz (v), Nelson Brito (bx), Rogério Fernandes (v), Catalau (v), Andreas Kisser (g), Marcello Schevano (g/bv) e Luiz Carlini (g)
GOLPE DE ESTADO 30 ANOS

Duas grandes vozes em ação: Rogério e João Luiz

"♪♪...noite de balada...sorrisos na madrugada...♫♫"

Surpresas no backstage - Amilcar e Castor (TORTURE SQUAD) tietando o GOLPE!
(e eu tietando as duas bandas, heheheh...)

'O culpado de tudo isso' Luiz Calanca e a guitarra do saudoso Hélcio Aguirra




Encontro de gigantes: Rogério e Catalau "...A velha mistura,te mata e te cura..."




João Luiz 'The Voice', a nova voz do GOLPE DE ESTADO
                           Passando o bastão adiante - Catalau saúda João Luiz.
GOLPE DE ESTADO 30 ANOS (foto: Heloísa Brito)


FOTOS: Alexandre - Wildshark (exceto a indicada).


sábado, 27 de maio de 2017

PROFECIA DO CAOS "Pregação da Maldição" espalha o peso e a fúria de Poços de Caldas/MG


DISCO: “Pregação da Maldição”
ANO: 2016
FAIXAS:
1.  Intro/ Profecia/
2.  Olhos Vendados/
3.  Punição/
4.  Nostradamus/
5.  Pilhagem/
6.  Apocalipse de Ódio/
7.  Visões/
8.  Pregação da Maldição/
  Em Minas Gerais temos um histórico de som extremo com agressividade de sobra e essa banda oriunda de Poços de Caldas não deixaria por menos. PROFECIA DO CAOS formada em 2014 não abre mão dos timbres abertos e modernos em suas canções rápidas, com passagens cadenciadas, vocais vomitados e peso absurdo. Com letras em bom português para todos entenderem que eles estão putos com esse admirável mundo novo, os vocais de Edu Krammer vocifera em cima de uma base descomunal alicerçada pelo baixo pulsante de Fernando Mohammed e a bateria veloz de Brenner Valverde que também dão sustentação pras guitarras rasgadas e irritadas de Fabio Basso e Natanael Leda.
Brenner Valverde (bt), Natanael Leda (g), Edu Krammer (v), Fabio Basso (g), Fernando Mohammed (bx)
PROFECIA DO CAOS

  Essa banda vem naquela pegada que as bandas MUQUETA NA OREIA e BLACK PANTERA PROJECT andam espalhando mundo afora faz alguns anos, letras de cunho social que detona a imprensa, a religião, a política vergonhosa e até a falta de caráter da humanidade, ou seja, som pra pensar e pular também. Duvido que um show desses caras vai te deixar sair de lá sem dores imensas no pescoço ou muitas dúvidas dentro da tua cabeça!
  Eu não sou capaz de dar destaque em alguma faixa, o conjunto da obra fala por si próprio e você só terá ideia ouvindo, muitas vezes com o encarte nas mãos lendo as letras. Esse é o tipo de banda que vale investir uns trocos e comprar o CD, aliás, todas as bandas que figuram na Toca do Shark estão aqui por que eu acredito que são bandas que valem à pena darmos apoio irrestrito.


FALLEN IDOL - Doom Metal como os mestres do estilo, vindo do interior de SP


DISCO: “Seasons of Grief”
ANO: 2016
Roadie Metal (www.roadie-metal.com)
FAIXAS:
1.  Seasons of Grief/
2.  Nobody’s Life/
3.  Unceasing Guilt/
4.  Heading for Extinction/
5.  The Boy and the Sea/
6.  Worsheep Me/
7.  Satan’s Crucifixion/

  Banda de Arujá/SP, formada em 2012, o FALLEN IDOL pratica um Doom Metal da melhor qualidade, com excelência de quem conhece o estilo nos seus mínimos detalhes, sem dever nada pra gringo nenhum.
  Comumente eu cito bandas renomadas internacionais em comparação e influências nas canções não para desmerecer o artista nacional e/ou traçar uma espécie de comparativo (longe disso), mas sim, pra situar o leitor e ele saber em que território a banda circula antes dele ouvi-la e neste caso eu citaria doses cavalares de CANDLEMASS, HEAVEN AND HELL, PARADISE LOST, CELTIC FROST e até uma certa pitada de ICED EARTH clássico aqui e ali sem aquela velocidade toda, afinal temos aqui uma banda de Doom legítima e que tem em “Seasons of Grief” um material de altíssima qualidade para apresentar, desde a concepção gráfica que embala a música até as letras, passando por riffs gordurosos provenientes das linhas de baixo de Márcio Silva e das guitarras de Rodrigo Sitta que também é vocalista e tem uma interpretação quase sobrenatural nas faixas, com seu vocal predominantemente limpo e interpretativo que em muitas passagens sobe o tom de acordo com o que pede a letra, criando assim um jogo de vocalizes muito artístico, tudo isso guiado por baterias precisas e bem executadas por Ulisses Campos.
Márcio Silva (baixo), Ulisses Campos (bateria) e Rodrigo Sitta (vocal/guitarra)
FALLEN IDOL

  A canção mais rápida do disco, fugindo um pouco da atmosfera Doom seria ‘Heading for Extintion’ que me lembrou uns riffs meio SAVATAGE com SABBATH da fase “Dehumanizer”, contando com uma linha de teclados de filmes de terror dos anos de ouro do estilo e uma bateria ‘metrancada’ de Ulisses que dá aquele brilho pra coisa toda!
  Também um pouco mais acelerada, a faixa ‘The Boy and the Sea’ tem um andamento cavalgado no começo, mas que depois de um solo de guitarra inspiradíssimo entra numas nuances meio KING DIAMOND, atmosfericamente falando, uma viagem sobrenatural de extremo bom gosto.
  O trabalho de apenas 7 faixas brilhantes fecha com uma mega canção, não tenho como descrevê-la, à não ser com um palavrão, FUDIDA!
  ‘Satan’s Crucifixon’ começa com aquele riffão patenteado pelo Iommy e descamba pra uma orgia de velocidade e vocal altíssimo, aquele tipo de som que um Headbanger ama de devoção! E o solo então? Outro palavrão se faz necessário: PUTAQUIPARIU! (Dá uma ouvida, por favor: https://fallenidol.bandcamp.com/track/satans-crucifixion)

  O disco foi dedicado à memória de Alex Rangel, vocalista do ATTOMICA que faleceu em um acidente automobilístico em 2015.